Saio do chuveiro e caminho inquieto pelo quarto. Não é comum uma mulher me deixar tão inseguro, quase me fazendo enfiar debaixo da cama.
— Senhor Collins, com licença — Cibele, minha governanta, b**e na porta e entra — A jovem tomou o chá e adormeceu.
— Como assim adormeceu? Ela precisa ir embora para casa dela… Droga!
Muito irritado, caminho a passos largos até a sala, mas antes que possa me aborrecer ainda mais com ela, uma cena chama minha atenção.
Lizzy dorme encolhida no sofá. Seu rosto angelical me faz sentir uma paz interior que há muito não sinto.
— Vou acordá-la, senhor… e logo em seguida, peço para o Renato levá-la embora — Cibele fala.
— Não, não há necessidade! Leve-a para um dos quartos de hóspedes. Essa menina está vivendo um pesadelo, segundo Mark.
Vou para o quarto me vestir. Hoje é dia de pôquer com os rapazes que logo chegam.
A campainha toca, e ao abrir, me deparo com Mark, Thomas e Richard.
— Entrem, rapazes… Trouxeram as bebidas de vocês? Não vou abrir mais nenhuma garrafa de uísque!
— Deixa de ser miserável, cara! Convida os amigos e depois quer regular a bebida! — Mark fala, me agarrando pelo pescoço.
Somos grandes amigos; ele é o irmão que nunca tive e sempre está do meu lado nas horas difíceis.
Logo o jogo começa.
— Eu aposto mil nessa rodada — Thomas fala.
— Eu vou dobrar… Hoje vou fazer uma pequena fortuna — Mark ri, esfregando as mãos.
Ele revela suas cartas, mostrando que tem uma trinca de reis.
— Trinca de damas — diz Thomas.
— Full house, meus garotos, hahaha… Me passem a grana, por favor! Gosto de jogar com vocês, meus irmãos. Vocês sabem me deixar mais rico.
Mark começa a se irritar com minhas gracinhas, o que me deixa ainda mais feliz. As horas passam, e o jogo vai ficando cada vez mais interessante.
— Senhor Collins… a jovem acordou e decidiu ir embora!
Os rapazes me olham incrédulos e logo comentam:
— Tem uma garota aqui? Uma garota nesse apartamento? Desde quando você traz garotas para cá? — Thomas pergunta.
— A protegida do Mark foi assaltada na minha frente. Eu precisei bater nuns caras e resgatar a dama em perigo. Como ela se feriu, eu a trouxe para o meu apartamento.
Mark se levanta abruptamente, muito indignado.
— Onde ela está? A Lizzy é minha responsabilidade! Ela não tem ninguém aqui na cidade… Nem em outro lugar! O pai e o irmão morreram, e a mãe está internada em estado grave. Deveria ter me ligado!
Irritado e agressivo, como um homem possessivo, Mark reage. Ele caminha até o centro da sala e dá de cara com Lizzy.
— O que fizeram com você? Deveria ter te dado meu número… Você está bem? — Mark pergunta, segurando a mão da jovem.
Ela parece um pouco confusa, como se ainda estivesse sonolenta.
— Estou bem. O senhor Collins estava por perto e me ajudou. Agora já vou indo… O motorista vai me mostrar o caminho. Acabei me perdendo, foi isso que aconteceu.
— Tudo bem, vou te levar… Cancele o pôquer, estou de saída! — ele fala aflito, pegando o casaco.
— Não há necessidade, volte a se divertir com seus amigos! Já fizeram o bastante por mim, obrigada!
Lizzy me olha rapidamente e desvia o olhar. Em seguida, segura sua mochila e caminha até a porta de entrada.
— Vai abandonar a mesa, Mark? Deixa de ser estúpido e volte para o jogo… Renato levará a garota até o seu destino! — digo, perdendo a paciência.
Por algum motivo ainda desconhecido, me irrita muito a aproximação de Mark e Lizzy.
— Ela está segura aqui! O senhor Collins não vai se importar dela terminar a noite! — Cibele completa. — Pela manhã, Renato a deixa na kitnet.
Concordo sem olhar para Mark, que ainda segura a mão da jovem. Sem muito o que fazer, Lizzy aceita.


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