LIZZY...
Amanhece e rapidamente saio da cama. Estou encantada com o apartamento e ainda mais por perceber que aquele jeito durão do senhor Collins é apenas uma armadura.
Ele está sendo legal comigo. Me ajudou e depois nos divertimos no jogo, nem parece a mesma pessoa. É o que penso enquanto lavo o rosto. Saio do quarto e me deparo com Cibele na porta, prestes a entrar.
— O senhor Mark já saiu e me pediu para te acordar. Ele foi se trocar e, em seguida, vai para a empresa… parece que hoje é um dia importante — ela fala, me conduzindo até a sala. Ela está claramente me expulsando, e já imagino o motivo.
Pego a maçã que ela me oferece e, em seguida, sigo com Renato até a kitnet onde vou ficar. Me arrumo com o uniforme que já está lá e pego o cartão de transporte que a empresa fornece.
Ao chegar na empresa, começo logo meu trabalho. É fácil entender o que devo fazer. Deixo o café pronto e, em seguida, subo até os andares da presidência para entregá-lo.
Primeiro na sala do senhor Mark e depois na sala do senhor Collins. Entro no elevador e a porta se abre na cobertura. Fico impressionada com o tamanho do espaço e com a beleza da cidade vista do alto. Por alguns segundos, me distraio, até que, de repente, alguém sai do elevador.
É ele. Senhor Collins. Sua presença enche o lugar, e sua voz rouca faz com que todos prendam a respiração.
— Está atrasada. Gosto de encontrar meu café já na sala e, de preferência, servido! Se não for capaz de fazer isso, avise o RH. Eles contratam outra pessoa!
— Assim? Sem eu fazer nada, já está me tratando como um cavalo? — sussurro, e a secretária Jamile toma a bandeja da minha mão.
Ela acena com a cabeça para que eu saia.
— Que maluco! Não fiz nada e ele já chega distribuindo patadas! Desnecessário. Será que está irritado por ter perdido dez mãos seguidas no pôquer? Ah! Que seja… riquinho metido!
Cuido dos meus afazeres, que são muitos. Limpo todos os andares e resta apenas o do senhor rabugento.
— Não precisa se preocupar, eles estão em reunião em outra sala, pode limpar a dele! — diz Jamile.
Entro com o carrinho de limpeza e levo um susto ao ver uma mulher sentada na cadeira do senhor Collins.
— Ah, me desculpe! Eu não sabia que tinha alguém aqui… — começo a dizer, mas ela me corta imediatamente.
— Alguém não, queridinha! A mulher do senhor Collins, a mãe da filha dele… Susan Collins, o único e verdadeiro amor de Victor Hugo Collins! Faça seu trabalho rápido e saia logo daqui! Ele não gosta de ver empregados esfregando seu chão.
Ela sorri e coloca os pés sobre a mesa. Meu coração arde de ódio e vontade de dar uma resposta, mas fico em silêncio. Preciso do meu emprego. Não fazia ideia que teria que suportar o senhor Collins de saia também.
Me atrapalho muito com a limpeza da sala principal. Primeiro porque a tal Susan me observa o tempo todo, depois porque há muitos carpetes.
— Você não está fazendo direito, empregadinha! Precisa retirar esse maior também! — ela fala, levantando a borda do carpete com o bico do scarpin.
— Sim, senhora… Termino esse lado e já limpo aí!
Estou exausta e com fome. Já passou da hora do café e ainda não desci para comer.
Levanto o carpete e vou enrolando-o em direção a Susan. Ao me aproximar do pé dela, peço para que se afaste, mas, inesperadamente, ela se recusa.
— Empregadinha incompetente! — ela fala.
— AÍ!
Ela pisa na minha mão propositalmente.
— Qual é o seu problema, Susan? O que pensa que está fazendo, sua maldita repugnante?!
O senhor Mark entra na sala no exato momento em que Susan pisa na minha mão. Me afasto, me contorcendo de dor. Por mais que eu tente não demonstrar fraqueza, lágrimas escorrem pelo meu rosto.
Mark a segura pelo braço, com fúria e ódio no olhar, mas é contido pelo senhor Collins.
— Calma aí, cara! Vai bater em mulher? — ele questiona, me olhando com os olhos cerrados. — Eu disse que essa garota seria uma confusão, mas você não me ouviu!
Ele fala como se a culpa fosse minha, enquanto a verdadeira errada é consolada por ele.
— Não, Victor! Essa cobra peçonhenta pisou na mão da Lizzy! Eu vi perfeitamente bem… Essa mulher nem deveria estar aqui! — Mark fala, alterado.
— Quem decide isso sou eu, não você! Até porque você não passa de um sócio minoritário… A empresa é minha, já esqueceu? — o senhor Collins fala, cerrando o punho.
Mark fica em silêncio. Seus gestos falam por si. Ele caminha até onde estou e estende a mão.
— Vamos, Lizzy! Vou te levar para o hospital… Você vai pegar um atestado médico e depois vai para a justiça do trabalho. Vai abrir uma denúncia contra a empresa! — ele fala. Ao passar por Susan, a encara, então j**a seu crachá aos pés do senhor Collins e sai comigo sem dizer mais nada.



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