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Segredos do Magnata romance Capítulo 3

— O que a senhora faz aqui? Existem regras que devem ser seguidas, e uma delas é não me incomodar no apartamento.

— Eu sou sua mãe, e não vou cumprir regra nenhuma! Ela precisa de você, não pode fingir que ela não existe! Aquela mulher merece cada segundo do seu desprezo, mas ela... ela é só uma criança! — diz a senhora Olivia Collins.

— Estou saindo para correr, e quando eu voltar, a senhora não estará mais aqui. Amanhã eu janto em casa, mas hoje definitivamente é um péssimo dia!

Deixo o apartamento e sigo para o parque central, que fica a alguns metros do prédio. Todos os dias depois do trabalho, eu preciso desse tempo para reorganizar minha mente e recarregar as energias. É o meu tempo, um momento que ninguém se atreve a interromper.

É um péssimo dia. Na empresa, na minha vida pessoal, tudo está bagunçado como nunca. Mas não são esses imprevistos que vão me parar, pois eu sou Victor Hugo Collins, e eu sempre consigo tudo o que quero — menos ser pai.

— Que inferno! — digo, descansando num banco próximo.

Um exame de paternidade colocou fim ao meu casamento de anos, e também ao sonho de ser pai. Eu não posso ter filhos, nunca pude, e com isso descobri uma traição. Já não estou mais casado, mas cuidei da menina como se realmente fosse minha filha.

Deixar de lado toda uma vida ou seguir como se nada tivesse acontecido? Eu decido que não tenho filhos e entrego a menina para a mãe. Agora, minha mãe insiste que estou errado. Refiz meu testamento e retirei Yasmin.

— Ela que procure um pai para ela! — digo para mim mesmo.

Quando me levanto e volto a correr, acabo esbarrando numa jovem.

— Mil desculpas, estou distraído e não te vi. Desculpa!

A jovem estranhamente puxa a touca do casaco sobre o rosto e segue sem dizer uma palavra sequer. Meus olhos se mantêm nela até que ela para na faixa de pedestre. Como ninguém, ela tem uma grande dificuldade em atravessar para o outro lado da avenida.

Acompanho-a com cautela, pois fico curioso.

— Por favor, me deixem atravessar... como vou chegar nesse prédio? — ela sussurra para si mesma.

— Você precisa colocar o pé na faixa, assim os motoristas vão saber que quer atravessar e vão parar! Eles pensam que você apenas está aqui... Olha só!

Me adianto um pouco e os carros param. Ela não diz nada, apenas abaixa a cabeça e segue seu destino.

— Que garota maluca! Nem mesmo um obrigado... Ótimo! Agora implico com desconhecidos na rua. Francamente, a que ponto eu cheguei.

Resolvo voltar para minha corrida, mas alguém está brincando comigo. Talvez o destino queira me mostrar algo, ou é apenas coincidência?

Viro à esquina do prédio e a mesma garota aparece na minha frente. Misteriosamente vestida, só consigo ver seus finos dedos e seu cabelo despenteado sob o capuz do moletom.

—Você está me seguindo? Vai ser presa... — digo, levantando minha blusa para pegar meu telefone, mas a jovem se assusta e sai correndo para o meio da avenida. Tudo acontece muito rápido. Em frações de segundos, um carro em alta velocidade se aproxima.

— CUIDADO!

Agarro a garota pelo braço e consigo arrastá-la antes de ser atropelada. Ela cai aos meus pés. Me abaixo para ajudá-la e então percebo que se trata da jovem que Mark levou até o restaurante, a mesma que encontrei no hospital.

— Você? O que está fazendo aqui? — pergunto, surpreso.

— O que foi? Além de dono da empresa Collins você também é dono de toda cidade? Que eu saiba, São Francisco não é sua cidade! — ela responde.

— Deveria me agradecer, eu acabei de salvar sua vida, imbecil!

— De nada, arrogante! Vou pedir para entregarem um troféu de honra para você... Riquinho cheio de graça! — ela fala com deboche.

— Dobre sua língua para falar comigo! Que eu saiba, você agora é minha funcionária!

— POIS me demita! Que droga, eu só quero encontrar esse maldito lugar... Que droga! Por que minha vida tem que ser tão complicada? — ela fala, apanhando a mochila que está no chão.

A jovem caminha em direção à praça. Ela anda em círculos, olhando um papel. Dois rapazes se aproximam e conversam.

Ela mostra o papel, e eles se oferecem para acompanhá-la. Sem nenhuma malícia, inocentemente, ela segue com eles para um lugar mais afastado e escuro da praça.

— Que ótimo, agora eu faço o quê? Finjo que não estou vendo que ela vai ser abusada, ou vou para casa tomar um bom vinho?... Eu vou para casa... eu não tenho nada com isso! — falo, me virando para ir embora.

Não Posso Ignorar 1

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