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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 169

Capítulo 169

Rúbia

Derrick ficou parado a dois passos de mim, o peito subindo e descendo devagar, como se estivesse tentando sincronizar a respiração com a minha. A casa parecia inteira em silêncio — um silêncio cheio de coisas que não dissemos, de noites mal dormidas e da coragem que a gente inventa quando não tem alternativa.

— Você realmente… — comecei, e a minha voz saiu menor do que eu queria. — Se apaixonou por mim?

Ele assentiu. Foi um aceno baixo, quase tímido, que me desarmou mais do que qualquer discurso.

— Me apaixonei por você quando ainda achava que não merecia gostar de ninguém — ele disse, as palavras rasgando o espaço entre nós. — E eu estraguei tudo quando mais importava. Eu sei. Mas a vida colocou a gente aqui de novo, Rúbia. Isso… — ele apontou de leve para o chão, para as paredes, para a escada, para a porta por onde Greting tinha sumido e para o corredor que levava ao quarto da Mia — isso é uma segunda chance. É a que eu tenho. É o que eu quero com vocês. E eu preciso que você tente comigo. Por favor.

A palavra “por favor” pesou. Não era chantagem. Era um pedido de quem realmente está no limite do que consegue aguentar.

— Tem sido muito difícil ficar do seu lado e não poder tocar você — ele confessou, num tom que eu conhecia de outros tempos, quando o orgulho dele não precisava provar nada. — Eu acordo com vontade de te procurar. Eu vou dormir pensando no cheiro do seu cabelo. Eu escuto você andando pela casa e meu corpo inteiro reconhece seus passos. E eu não toco. Eu fico parado, com as mãos vazias, como se tivesse desaprendido a viver sem você.

Fiquei em silêncio um instante que pareceu longo demais. Senti uma fisgada no peito — não de dor, mas de memória. O que a gente viveu não foi pequeno, e o que a gente quebrou também não foi. Tentei segurar o rosto impassível, mas a mão se ergueu sozinha.

Toquei a bochecha dele com as pontas dos dedos, raspando de leve a barba curta. O calor da pele dele subiu pela minha mão. Derrick fechou os olhos por um segundo, como se o simples toque fosse um alívio antigo.

— Acho que eu nunca senti que alguém realmente gostasse de mim de verdade — falei baixo, surpreendendo a mim mesma com a sinceridade. — Não desse jeito, não com essa teimosia. E… por mais que você tenha errado, eu… — respirei — eu vou te dar outra oportunidade. Aliás, vou dar pra nós dois. Mas eu não vou fingir que foi fácil chegar até aqui. Você vai ter que me encontrar no meio do caminho todas as vezes que eu me perder.

Os olhos dele mudaram para aquele brilho que mistura promessa com medo de perder. Ele encurtou o espaço entre nós devagar, como quem pede permissão passo a passo. Eu não recuei.

— Obrigado — ele disse, quase num sussurro.

O beijo não veio na boca primeiro. Ele encostou a testa na minha, a respiração quente, e ficou ali um instante, como se calibrasse o gesto antes de cometê-lo. Depois, a mão dele achou a minha cintura, firme, a outra pousou no meu rosto, e o beijo chegou — macio, sem pressa, com o cuidado de quem segura algo que pode quebrar.

Meu corpo reagiu como reage quando encontra caminho conhecido depois de se perder: foi se soltando, abrindo o peito, desfazendo a tensão nos ombros, arrumando espaço para o calor. Eu o puxei pelo colarinho e senti a risada baixa que ele dá quando se surpreende comigo. Ele me ergueu um pouco, como quem reposiciona o mundo para que o encaixe fique perfeito.

— Senti sua falta — ele murmurou, a boca roçando no canto da minha. — Senti a sua falta em tudo. No copo de água que você esquece pela casa, na toalha torta no banheiro, na sua mania de falar com a planta da sala. Eu senti falta até do seu silêncio bravo.

— Então me beija, Derrick. Eu talvez possa esquecer que você disse do jeito que largo a toalha — pedi, e a frase não soou como ordem nem como súplica; soou como o que era: um convite.

No alto da escada, ele me girou com suavidade e as minhas costas tocaram a parede. O contato frio arrancou de mim um arrepio que subiu rápido, colidindo com o calor da boca dele. Senti a força contida nos braços dele e, pela primeira vez em muitos dias, aquilo não me pareceu ameaça; pareceu amparo.

— Eu estraguei coisas demais — ele falou, encostando a testa na minha outra vez, respirando comigo. — Me deixa consertar o que eu sou capaz de consertar. Me deixa aprender a te merecer, todos os dias, do jeito certo.

Minha resposta foi puxá-lo de volta. O beijo ficou mais urgente — não por pressa, mas por certeza. Caminhamos de costas pelo corredor, tateando a parede como se fosse o mapa mais antigo do mundo. A maçaneta do quarto riscou a minha mão. Abri.

O quarto estava numa penumbra boa. As cortinas meio fechadas filtravam a luz da manhã, e o cheiro leve do nosso perfume misturado — o meu na roupa, o dele no lençol — me transportou para lugares que eu tinha proibido visitar. Ele fechou a porta devagar.

— Vem cá — falei, e não precisei repetir.

Ele veio. A distância pequena acabou. O beijo que começou na sala se ampliou, ganhou território pelo meu corpo, mapeando limites e pedindo licença quando encontrava algum. Minha blusa subiu devagar, o ar frio na pele quente, e eu senti a boca dele desenhar caminhos por cima do tecido, como se antecipasse o que viria sem atropelar. A cada toque, um pedaço de mim se lembrava do que gostava — e outro pedaço se sentia nova, reintroduzida ao próprio corpo.

Eu desfiz os botões da camisa dele, um a um, saboreando o barulho pequeno do tecido cedendo. Os ombros dele relaxaram quando a camisa caiu, e eu passei as mãos por aquela estrada de músculo e cicatriz que já sabíamos de cor. Senti o coração dele bater rápido nas pontas dos meus dedos. O meu acompanhou.

— Olha pra mim — pediu. Eu olhei, ele me olhou. O foco inteiro pousado em mim, sem desviar. Tive a impressão de que, se o mundo explodisse, os olhos dele ainda estariam ali, seguros, me prendendo no lugar certo. Eu sorri — um sorriso curto, de quem aceita o próprio desejo sem pedir desculpas —, e a coragem veio inteira, limpa.

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