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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 162

Capítulo 162

Derrick

Acordei antes do sol.

A cabeça latejava, mas o peso no peito era o que mais doía.

Aquela conversa com Rúbia não saía da minha mente.

O som da voz dela repetia como martelo: “Você sabe o quanto é humilhante pra uma mulher precisar fazer um exame de DNA com o próprio marido?”

Não, eu não sabia.

Mas agora sabia o suficiente pra nunca mais esquecer.

O envelope novo estava sobre a mesa do escritório, intacto.

Peguei o antigo — aquele com o laudo de infertilidade — e comparei.

Os dois tinham o mesmo logotipo, mas algo me chamou atenção: o carimbo.

Um mais grosso, outro mais fino.

E o CNPJ impresso…

Mesma numeração. Dois exames diferentes, dois estados diferentes, o mesmo registro de empresa.

Franzi o cenho.

Tinha algo errado.

Peguei o telefone e marquei consulta com o médico que cuidava de mim antes da confusão começar.

— Preciso falar com você hoje, doutor. É sobre um exame antigo de infertilidade.

Ele reconheceu minha voz na hora.

— Tudo bem, Derrick. Venha às dez.

---

O consultório cheirava a álcool e ar-condicionado.

A secretária evitou me encarar. Talvez lembrasse de mim — o homem que uma vez saiu dali quebrando um porta-retratos.

O médico apareceu, mais grisalho, a expressão cansada.

— Faz tempo.

— Faz. E tem coisa que ficou atravessada. — estendi os dois envelopes. — Quero entender. Porque esses que trouxe da outra vez são bem diferentes do atual. E ontem descobri da pior forma que sou pai.

— Bom você só trouxe um da outra vez. Tenho o registro aqui no computador.

— É, mais depois fiz outros dois. Como vi os resultados iguais acabei não trazendo.

Ele abriu, folheou com atenção.

O som do papel sendo virado parecia um julgamento.

— Hum... curioso.

— O que tem de curioso? — perguntei, tentando conter a impaciência.

Ele apontou com a caneta.

— Aqui. O exame antigo tem um número de protocolo diferente do formato atual, e essa assinatura digital não é nossa.

— Como assim, não é de vocês?

— Não é. Alguém usou o timbre da clínica, mas o registro de autenticação pertence a uma empresa de perícia laboratorial de fachada. — Fez uma pausa. — Derrick, esse exame foi adulterado.

Meu estômago virou.

— Tem certeza?

— Tenho. Mas tem mais uma coisa. Mesmo que fosse verdadeiro... você apresentava níveis absurdos de cortisol na época. Isso pode inibir a fertilidade temporariamente. Estresse, álcool, trauma. Tudo isso pode bloquear o organismo.

Eu fiquei calado.

A verdade vinha de todos os lados — e nenhuma delas era fácil de engolir.

— Então o exame foi falso… e mesmo que fosse real, eu podia ter revertido?

— Exatamente. — Ele fechou o envelope com cuidado. — Alguém quis te fazer acreditar que era impossível.

— Maldita Liziane. Só pode ter sido ela.

— É, mais esse laboratório precisa ser investigado. Aqui tem o nome do médico que emitiu o laudo.

Olhei o nome e pronto, bufei.

— Olha o nome desse maldito... Como não desconfiei? Romário. O cara que minha ex engravidou, ela chamava de Mário. Não acredito que aquela maldita quase destruiu a minha vida.

— Podemos denunciar ele. Eu mesmo posso abrir a solicitação.

— Escuta por favor. Eu vim fazer o exame em dia diferente do seu. O médico começou a conversar comigo e chorei dizendo que me sentia pressionada. Você é da máfia, qualquer um sabe o que acontece quando uma mulher rejeita um mafioso, ou quando não o quer mais. Eu tive medo.

— E então me traiu? Belo caráter o seu. E pensar que havia te escolhido pra ser a mãe do meu filho — meus dedos deslizaram para apertar o gatilho.

— Não, eu não fiz isso. O médico modificou o exame e adulterou os dois seguintes. Quando terminamos é que comecei a sair com ele. Foi tudo tão rápido e eu simplesmente fiquei grávida dele. Mas eu juro que não traí.

— Eu passei quase três anos pensando que nunca teria um filho. Uma família. Praticamente perdi minha esposa porque ela engravidou e eu a maltratei porque pensei que havia me traído...

— Me desculpa. Eu não queria isso. Só tive medo.

— É, mais agora você vai pagar. Eu poderia ter aceitado que não me amava mais, mas uma mentira desse tamanho? Não. Eu não vou.

Estiquei o braço. Mirei a cabeça.

Mas de repente, uma voz fina e delicada me chamou a atenção e me fez paralisar.

— Mamãe! O papai não sabe fazer mamá. Vem ajudar. — Era uma menininha. Cabelos ruivos quase no ombro. Dava pra ver que tinha acabado de acordar, só um lado do cabelo amassado. Ela esfregava os olhos e puxava a roupa da mãe. Deveria ter em média uns dois anos, sei lá.

— Filha, volta pra casa. Por favor, a mamãe já vai. — A pequena tentou virar, ela segurou a filha desesperada e começou a chorar. — Meu anjo pelo amor de Deus, volta. Você não pode ficar aqui. Não olhe pra lá, obedece a mamãe.

Mas a pequena não saiu e comecei a ficar inquieto. Criança mexe muito comigo.

— Não chora mãezinha. Eu vou tomar o mamá do papai. Não chora. — ela tentou abraçar a mãe e limpar as lágrimas enquanto Liziane tentava tirar a menina de perto de mim. Então a pequena chorou também.

"Merda! Eu não consigo ver criança chorar".

Abaixei a arma e guardei no coldre.

A pequena virou pra mim e Liziane soluçava.

— Por favor. Ela não tem culpa. O seu problema é comigo. Não deixe ela ver, não...

— Chega. — Coloquei a mão a frente do corpo — Espero que tenha aprendido a ter caráter. Não sou como você. Não vou destruir a sua vida como tentou destruir a minha. Cuide bem dela e assim já terá pagado a dívida entre nós. Não suporto que criança sofra. Você sabe.

— Obrigada. Muito obrigada. Se precisar eu converso com sua esposa. Eu explico, eu...

— Não ouse se aproximar da minha mulher. Eu só deixei passar pela criança. Não vou deixar uma inocente pagar por algo que você fez.

De repente o tal Mário apareceu. Reconheci na hora. Meio calvo, pele clara, mãos de cabeleireiro. Patético. E pensar que ela preferiu esse cara.

— Claire? — se direcionou a criança — O que está fazendo aqui? E porque as portas estão fe... — ele me viu e parou onde estava.

Todos me olharam. Mas eu decidi que havia acabado. Se ninguém iria morrer, estava na hora de ir pra casa. O que realmente importa é ter minha família de volta.

— Nos veremos no tribunal. — Falei antes de sair.

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