— Não se mexa. — Ele disse em voz baixa.
— O que foi? — Florence perguntou, confusa.
— Tem uma fita no seu cabelo. Vou tirar para você.
Ronaldo aproveitou a desculpa para deslizar os dedos pelos fios dela, enquanto seus olhos brilhavam com algo mais intenso. Ele se inclinou levemente, aproximando o rosto para sentir o perfume de seus cabelos.
Percebendo a aproximação, Florence corou instantaneamente e cobriu a cabeça com as mãos, envergonhada.
— Eu… Eu esqueci de lavar o cabelo. Está com cheiro ruim, não está?
Ronaldo deu uma risada suave.
— Não, está ótimo.
— Ah, irmão, você sabe como brincar… — Florence respondeu, visivelmente desconfortável.
— Vamos. Meu carro está na saída lateral.
— Tá bom.
Florence caminhou ao lado de Ronaldo, e, sem perceber, começou a enrolar delicadamente uma mecha de cabelo entre os dedos.
Era um gesto automático, algo que ela só fazia quando estava tímida.
Lucian, observando a cena à distância, apertou os lábios. Seu semblante escureceu, e a aura ao seu redor ficou carregada, quase sufocante.
Com um “clique”, ele acendeu o isqueiro e levou um cigarro aos lábios. Após uma longa tragada, ele se virou lentamente.
No corredor, o responsável pelo evento estava ajoelhado no chão, com Cláudio cobrindo sua boca.
— Ugh, ugh… Sr. Lucian! Eu errei! Eu realmente errei!
Lucian parou na frente dele, soltando uma nuvem de fumaça enquanto sua voz saía fria como gelo:
— Eu deixei bem claro antes da competição que queria justiça. Então você achou que seria esperto tentando me agradar?
O homem assentiu rapidamente, desesperado, implorando por misericórdia.
Lucian olhou para o cigarro em sua mão, e sem hesitar, pressionou a brasa quente contra a testa do homem.
O grito de dor ecoou pelo corredor, enquanto os olhos do homem reviraram de agonia. Lucian, no entanto, não demonstrou nenhuma emoção. Ele simplesmente o ignorou e seguiu em frente.
Ao sair do estúdio, Daphne correu em direção a ele. Sua entrada foi teatral, como se fosse uma princesa correndo para os braços de seu príncipe. Seu vestido luxuoso esvoaçava, atraindo todos os olhares no local.
Incluindo o de Florence, que estava sentada no carro de Ronaldo. Ela observava, com uma expressão calma, a cena que parecia saída de um conto de fadas.
Ronaldo sorriu e comentou:
Enquanto isso, Lucian continuava indiferente. Ele não ergueu os olhos nem por um momento, como se o que estava acontecendo lá fora fosse completamente irrelevante.
O som de uma página sendo virada ecoou no carro. O leve ruído do papel parecia uma lâmina cortando o coração de Daphne, um golpe após o outro.
O medo tomou conta dela. Suas mãos tremiam, e o troféu escorregou de seus dedos, caindo com um estrondo no chão.
Quando ela olhou para baixo, seus olhos se arregalaram de choque.
Sem que Daphne percebesse, sua peça de joalheria havia sido colocada no chão do carro. Agora, o troféu de cristal havia caído diretamente sobre ela, quebrando-a em pedaços irreconhecíveis, exatamente como o que aconteceu com a peça de Florence no palco.
Daphne encarou os fragmentos no chão, completamente atônita.
O carro parou. Lucian desceu sem sequer olhar para ela e, antes de fechar a porta, disse friamente:
— Antes de sair, limpe essa bagunça.
…
Nos bastidores, Rosana tentava se levantar no banheiro, pálida e segurando o estômago.
Antes que conseguisse ficar de pé, suas pernas cederam, e ela caiu com um “baque” direto sobre seus próprios dejetos.
— Ah! Ah! Ah! — Ela gritou, desesperada.

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