No caminho de volta para o alojamento, Florence foi interceptada por alguém.
Cláudio estava parado à sua frente, mantendo a postura sempre educada:
— Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando por você no carro. Ele pediu para que você fosse fazer a revisão da sua mão.
Florence soltou uma risada fria:
— Minha mão está estragada, não é? Isso é perfeito. Assim não preciso incomodar o Sr. Lucian com tanto esforço e posso sair da competição de uma vez.
Cláudio hesitou, parecendo confuso, mas respondeu em um tom baixo:
— Srta. Florence, o Sr. Lucian...
— O Sr. Lucian deveria passar mais tempo com a namorada dele. Não quero atrapalhar o relacionamento perfeito deles. Tenho outras coisas para fazer.
Florence desviou dele e tentou seguir em frente, mas Cláudio foi rápido e bloqueou seu caminho novamente.
— Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando.
O tom de Cláudio era firme, com um claro aviso embutido. Florence percebeu que, enquanto não fosse ao carro, ele não a deixaria em paz. Respirando fundo, ela respondeu com um leve tom de irritação:
— Certo, vamos logo.
Cláudio assentiu e fez um gesto para que ela o acompanhasse.
Florence o seguiu até o carro, sem perceber que, a poucos metros de distância, uma figura animada caminhava em sua direção. No entanto, ao ver Florence entrando no carro, a pessoa parou instantaneamente.
Daphne permaneceu imóvel, observando o veículo se afastar. Ela mordeu os lábios com força, enquanto seus olhos demonstravam uma fúria disfarçada de calmaria.
…
No caminho para o hospital, Florence permaneceu em silêncio, olhando pela janela. Lucian, por outro lado, estava concentrado em revisar alguns documentos, como se não tivesse sido ele a entregar o projeto dela para Daphne. Talvez, na mente dele, aquilo não fosse importante o suficiente para merecer qualquer menção.
Quando estavam prestes a chegar, a voz grave de Lucian quebrou o silêncio:
— Sua mão ainda dói?
— Não. — Respondeu ela, seca, sem sequer olhar para ele.
Assim que o carro estacionou, Florence desceu rapidamente, sem dar um único olhar para Lucian.
Lucian observou a expressão de Florence e, com um olhar sério, virou-se para Cláudio:
— Descubra o que está acontecendo com ela.
Cláudio pareceu surpreso, mas logo assentiu:
— Sim, senhor.
…
Pouco depois, Florence entrou na sala de atendimento, seguindo Lucian. O médico, de costas para eles, virou-se ao ouvir o som da porta. Quando viu Lucian, abriu um sorriso caloroso e aproximou-se.
— Lucian, quanto tempo! O que está sentindo?
— Não sou eu. É ela. — Lucian apontou para Florence.
— Em que situação uma criança pode doar um rim sem o consentimento da mãe?
A pergunta pegou Fernando completamente de surpresa. Ele esperava que Florence perguntasse algo sobre sua mão, mas isso o deixou sem palavras por um momento. Querendo manter sua autoridade profissional, respondeu rapidamente:
— Em geral, a doação de órgãos, mesmo em crianças, exige o consentimento de parentes diretos.
— Parentes diretos como quem?
— Os pais. O hospital sempre notifica ambos os responsáveis e exige o consentimento. Mas, claro, também levamos em conta a vontade da criança. Mesmo crianças pequenas têm direito a expressar seus desejos, não é?
Fernando tentou manter o tom leve, mas Florence soltou uma risada fria, com os olhos brilhando de raiva:
— Então você sabia de tudo.
Na vida passada, ele havia ajudado Lucian a esconder dela. Sua filha foi levada para a cirurgia sem que Florence soubesse. Depois, a menina morreu de uma infecção, sem receber tratamento adequado. Enquanto isso, Fernando estava em um evento luxuoso, comemorando o aniversário do filho de Daphne. A ironia era insuportável.
Fernando perdeu o sorriso. Um desconforto crescente tomou conta dele, como se algo invisível o estivesse sufocando. Ele respirou fundo, tentando se recompor, e entregou a Lucian uma lista de exames:
— Aqui estão os procedimentos necessários.
Lucian pegou a lista e a entregou a Cláudio:
— Acompanhe-a.
Sem demonstrar emoção, Florence levantou-se e saiu da sala. Assim que ela saiu, Fernando se aproximou de Lucian, visivelmente abalado:
— A emoção dela está fora de controle. Você viu o jeito que ela olhou para mim? Parecia que queria me matar!

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