Florence ficou chocada com a atitude do homem, mas o que veio em seguida a deixou ainda mais atônita.
— O filho foi embora, e daí? Nada nesse mundo é mais importante para mim do que você. — Disse o homem, enquanto segurava o rosto de Daphne com as mãos. Ele passou os dedos pelos cantos dos olhos dela, limpando qualquer resquício de lágrimas, e, sem aviso, a beijou.
Daphne ficou paralisada por um momento, mas logo empurrou o homem para longe.
— Você está louco? Isso aqui é um hospital! E se alguém nos vir?
— Você não gosta? — A voz do homem mudou para um tom debochado e provocador.
Ele não soltou o rosto de Daphne, ignorando completamente o tom irritado dela. Com um gesto autoritário, ele voltou a beijá-la, sem dar espaço para recusa.
No início, Daphne tentou se desvencilhar, mas, após alguns segundos, ela cedeu. Suas mãos subiram e envolveram o homem, e os dois começaram a se beijar com uma intensidade crescente, ao ponto de os ruídos dos beijos ecoarem no ar.
Florence ficou alguns segundos paralisada, mas rapidamente pegou o celular e começou a gravar a cena. Contudo, a árvore na frente dela com seus galhos bifurcados atrapalhava a visão. A cada tentativa de ajustar o ângulo, ela percebia que a gravação ficava incompleta. Sem desistir, ela usou uma mão para afastar os galhos mais flexíveis, tentando obter uma imagem mais clara.
Com o tempo, a gravação no celular ficou mais nítida. O homem ficou mais visível, principalmente suas costas. Na jaqueta de couro preta que ele usava, havia a estampa de uma enorme cabeça de águia. Logo abaixo, uma sigla em inglês, aparentemente relacionada a um grupo de motociclistas, mas parte dela estava encoberta pelos braços de Daphne, que o abraçava com força.
O cabelo dele era curto, e seus movimentos eram descontraídos, quase selvagens, em completo contraste com o ar refinado de Daphne, uma mulher que sempre fora o retrato perfeito de uma dama da alta sociedade.
Os dois estavam tão imersos no beijo que o homem começou a deslizar a mão para dentro do casaco de Daphne, tocando seu corpo. Daphne soltou um leve gemido.
Apesar de seu rosto pálido e de seu estado visivelmente debilitado, uma expressão de prazer surgiu em seu rosto, misturando-se à dor.
— Ele te dá isso? — Perguntou o homem, ofegante, com os lábios ainda encostados na bochecha de Daphne.
— Não, ele não me dá nada. — Respondeu Daphne, com a voz baixa e carregada de insinuação. — Ele nem mesmo me toca... Não... Ah... Cuidado, alguém pode nos ver. E eu ainda não estou bem.
— Aqui é calmo, estamos no fim do outono e ninguém vem para cá. Não se preocupe, só vou tocar em você. Prometo que vai se sentir melhor. — Sussurrou o homem, antes de beijar novamente os lábios de Daphne.

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