Florence foi forçada a acompanhar Lucian até o apartamento de Daphne.
Assim que a porta do elevador se abriu, Florence sentiu um arrepio na espinha. O chão do corredor estava marcado com manchas de sangue seco. Na porta, respingos de tinta vermelha formavam palavras desconexas, como se alguém tivesse despejado ali toda a sua fúria. Era uma cena perturbadora.
Antes que Florence pudesse reagir, Lucian já tinha empurrado a porta e entrado no apartamento. O som que veio a seguir foi um misto de gritos masculinos de dor e o choro desesperado de Daphne.
— Lucian! Estou com medo! Eu… Eu estou com tanto medo!
O som abafado dos soluços trouxe Florence de volta à realidade. Sem pensar duas vezes, ela correu para dentro.
A cena que encontrou era caótica. No chão, um homem estava caído, com o rosto contorcido de dor e sangue escorrendo pela boca. Apesar disso, ele ainda segurava com força uma faca em sua mão.
Do outro lado da sala, Daphne, com o braço ferido e sangrando, se apoiava no peito de Lucian, buscando conforto. Sua expressão, tão delicada e bonita, agora estava manchada pela tristeza e o medo.
O homem, mesmo ferido, ainda cuspia insultos com uma voz áspera:
— Sua vagabunda! Boa pra subir na cama, mas não pode me deixar aproveitar um pouco? Você não passa de uma mulher fácil!
Daphne balançava a cabeça, os olhos cheios de lágrimas.
— Não… Não é verdade! Eu não sou assim… Eu nunca fui…
Ele soltou uma risada seca e cruel.
— Ah, não vem com essa! Todo mundo sabe. Tá na internet, sabia? Me contaram como você é fácil. E, olha, não adianta fingir. Todo dia tem homem entrando e saindo desse apartamento. Que moral você acha que tem?
Daphne, desesperada, avançou e agarrou a camisa dele, a voz tremendo:
— Você… Você me espionou? O único homem que entra na minha casa é o Lucian! Por que está inventando essas coisas? Eu tenho câmeras, eu posso provar!
O homem hesitou por um momento, os olhos desviando. Foi suficiente para Lucian perceber. Ele se virou para a porta e gritou:
— Cláudio!
Como se estivesse esperando o comando, Cláudio surgiu e, sem dar tempo para o homem reagir, o imobilizou no chão com um movimento rápido.
— Flor… — Daphne murmurou, a voz trêmula e cheia de mágoa. — Como pôde fazer isso comigo? Tudo isso… Só porque eu contei pra família Avery que você estava tomando remédios de fertilidade? Se esse homem tivesse conseguido o que queria, minha vida estaria acabada…
Florence abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. A pressão na sala era sufocante, e ela sentiu como se o ar tivesse sumido. Não conseguia se defender, nem mesmo respirar.
De repente, o homem no chão aproveitou um momento de distração. Com um movimento rápido, ele agarrou a faca e se lançou para cima de Daphne.
— Sua desgraçada! Tenho que agradecer à Florence por me ajudar a encontrar você. Eu odeio mulheres como você, falsas e traiçoeiras. Morra!
— Ah! Lucian! — Daphne gritou em desespero.
Lucian reagiu no mesmo instante, chutando o homem com força e o lançando para o lado onde Florence estava. Ela tentou se esquivar, mas não teve tempo. No momento em que levantou o braço para se proteger, viu os olhos do homem — um brilho de satisfação doentia.
— Ahhh! — Florence gritou.
A faca cortou sua mão, deixando uma ferida profunda. O sangue jorrou imediatamente, pintando sua visão de vermelho. Era muito sangue, mais do que o corte superficial no braço de Daphne. Por um momento, a dor foi tão intensa que ela sequer conseguiu reagir.

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