— Marcos Pacheco, você não tem palavra!
Murilo Vieira protegeu André Cruz atrás de si, seu olhar gelado como o inverno.
— Para se alcançar grandes feitos, não se deve dar atenção a detalhes.
Marcos Pacheco riu com desdém.
— Eu não quero apenas a caixa, quero a vida de vocês!
— Com vocês mortos, ninguém mais poderá me investigar.
Assim que ele terminou de falar, sirenes de polícia ensurdecedoras soaram do lado de fora da fábrica, aproximando-se cada vez mais.
O rosto de Marcos Pacheco mudou drasticamente.
— Como pode haver polícia aqui?
— Você achou mesmo que eu viria a este encontro sozinho?
Um sorriso zombeteiro surgiu nos lábios de Murilo Vieira.
— Desde que recebi sua mensagem, eu notifiquei a tropa de elite da polícia.
Ele já esperava que Marcos Pacheco quebrasse sua promessa.
Antes de sair, ele combinou com o chefe da equipe de operações especiais que as sirenes seriam o sinal para uma operação conjunta de captura.
— Droga!
Marcos Pacheco praguejou, seu olhar tornando-se ainda mais feroz.
— Matem-nos!
Os capangas imediatamente apertaram os gatilhos.
As balas assobiaram em direção a Murilo Vieira e André Cruz.
Murilo Vieira estava preparado.
Ele puxou André Cruz e se jogou no chão rapidamente.
Ao mesmo tempo, tirou uma bomba de fumaça da cintura, puxou o pino e a arremessou na direção da multidão.
Uma fumaça branca se espalhou instantaneamente, obscurecendo a visão, acompanhada por tosses e maldições.
— Aguente firme.
Murilo Vieira colocou André Cruz, que mal conseguia se mover, sobre os ombros.
Aproveitando a cobertura da fumaça, ele correu em direção à porta dos fundos da fábrica.
Marcos Pacheco, vendo a situação, soube que não conseguiria deter Murilo Vieira hoje.
Ele correu até a caixa de metal, pegou o que estava dentro e ordenou:
— Recuar!
Dizendo isso, ele correu para uma rota de fuga que havia preparado com antecedência.
Ao ouvirem a ordem, seus homens se cobriram mutuamente e dispararam vários tiros na direção das sirenes.
Ele estava coberto de lama, em um estado deplorável.
Sem se preocupar em se limpar, ele rapidamente tirou o casaco, jogou-o em uma lata de lixo na calçada e revelou as roupas casuais que já usava por baixo.
Ele observou os arredores com cautela.
Ao se certificar de que não havia policiais o seguindo, ele parou um táxi e deu um endereço.
O carro seguia pela noite.
Marcos Pacheco recostou-se no banco, seu rosto tão sombrio que parecia que ia chover.
Desde que descobriu que Murilo Vieira estava ajudando Serena Alves secretamente, ele começou a investigá-lo.
Infelizmente, como Murilo Vieira passou muitos anos no exército, muitas coisas eram difíceis de descobrir.
Quando finalmente soube que ele estava doente e procurando um doador de medula óssea, ele usou os contatos que acumulou ao longo dos anos para encontrar André Cruz, um doador compatível.
Seu plano era, de um lado, usar André Cruz para atrair Murilo Vieira e, de outro, fazer com que Talita Alves obtivesse os documentos sobre a colaboração antiga que João Alves guardava.
Dessa forma, com Serena Alves sem o apoio de Murilo Vieira e com o maior segredo de João Alves em suas mãos, toda a família Alves estaria sob seu controle.
No entanto, o tiro saiu pela culatra.
Esta noite, não só Murilo Vieira escapou, como também atraiu a polícia, causando-lhe perdas significativas.
Enquanto ele ponderava, o táxi parou em frente a um luxuoso prédio de apartamentos.
Marcos Pacheco pagou a corrida, entrou rapidamente no prédio e pegou o elevador para o décimo quinto andar.

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