Aeroporto da Cidade S.
Murilo Vieira notou imediatamente Henrique Serena saindo do portão de desembarque, cercado por vários guarda-costas.
Seu olhar percorreu Henrique Serena de cima a baixo.
Ao confirmar que ele não estava ferido, respirou aliviado.
— O importante é que você está seguro.
A garganta de Henrique Serena se contraiu.
Ele entregou o scanner.
— Mas Sebastião Rocha e os outros...
Murilo Vieira viu Serena Alves se aproximando e o interrompeu.
— Serena Alves conhece Sebastião Rocha, mas não sabe que ele trabalha para mim. Senhor Serena, não revele nada.
Dito isso, ele pegou o scanner.
Suas mãos, que tremiam levemente, mostravam que ele não estava tão calmo quanto parecia.
— Não se preocupe, ele não vai morrer.
Ao ver a reação dele, Henrique Serena sentiu uma vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.
Com Murilo Vieira sendo tão óbvio, como Serena Alves não saberia?
Ele nunca imaginou que alguém como Murilo Vieira também pudesse ser afetado pela irracionalidade que o amor traz.
Henrique Serena enfiou a mão no bolso e sentiu algo.
De repente, ele se lembrou e tirou o bilhete amarelado do bolso, entregando-o a Murilo Vieira.
— Encontrei isso sob o forro de veludo da caixa. O endereço não está completo. Só consegui ler "armazém número três, no velho cais da zona oeste". O resto estava manchado de água.
Murilo Vieira pegou o bilhete, dobrou-o e o guardou no bolso interno do paletó.
— Vou mandar investigar. Em menos de três dias, terei uma resposta para você.
Serena Alves, que estava no carro, viu Henrique Serena sair do portão de desembarque e se aproximou rapidamente dos dois.
Ao ver que ele não estava ferido, ela suspirou aliviada e perguntou:
— Onde está o objeto?
— Aqui.
Murilo Vieira balançou o scanner em sua mão.
— Vamos. Em casa, farei uma cópia para você.
— O caso da sua mãe, se não me engano, está com Endrick Castro. Amanhã, quando ele estiver no trabalho, você entrega a ele.
— Certo.
Serena Alves assentiu e, enquanto caminhava ao lado de Murilo Vieira, pegou o celular para digitar uma mensagem.
O celular no bolso de Henrique Serena vibrou.
Ele o pegou e, ao ver que era uma mensagem de Serena Alves, ergueu as sobrancelhas.
O som de passos ecoou, e alguns policiais, guiados pela secretária, entraram no escritório.
Ao ver o policial que liderava o grupo, o sorriso de Serena Alves se aprofundou.
— Sr. Castro.
— Srta. Alves, desculpe o incômodo.
Endrick Castro, acompanhado por dois policiais, entrou no escritório e entregou uma notificação de cooperação.
— Recebemos uma denúncia de que Hector Domingos, durante seu tempo no Grupo Domingos, esteve envolvido em desvio de fundos, falsificação de balanços e outras atividades ilegais.
— Como eu fui o responsável pelo caso anterior de manipulação de mercado do Grupo Domingos por Hector, fui encarregado de investigar a situação.
Endrick Castro olhou para Serena Alves com uma expressão de resignação, sentindo que a vida dela não era fácil.
— Sr. Castro, eu sei disso.
Serena Alves pegou a notificação, colocou-a sobre a mesa e tirou uma pilha de documentos organizados da gaveta.
— No entanto, como as provas que coletei anteriormente não eram completas, não sabia se poderiam abrir um caso, por isso não entrei em contato.
— Quem quer que tenha sido, foi muito gentil em me ajudar a encontrar todas essas provas.
Endrick Castro pegou os documentos e os folheou rapidamente.
Sua testa se franziu gradualmente.
— Estas provas são cruciais.
— Elas se encaixam perfeitamente com o material fornecido pelo denunciante, formando um ciclo completo de evidências e estabelecendo o motivo para a manipulação de mercado do Grupo Domingos.

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