Henrique Serena sentia claramente os dois olhares percorrendo o escritório repetidamente.
Cada vez que passavam pela estante, seu coração falhava uma batida.
Nesse momento, Seu Silva entrou com uma xícara de chá quente.
Ao ver Tiago Dourado e Alan Netos, uma expressão de entendimento surgiu em seu rosto, e ele sorriu para Henrique Serena.
— Jovem mestre, o tempo está frio. Beba um pouco de chá quente para se aquecer.
Ele colocou a xícara em um canto da escrivaninha.
Seu olhar de relance notou algo incomum na prateleira superior, mas ele se virou para Tiago Dourado sem demonstrar nada.
— Senhor Dourado, Senhor Netos, por que não vão ao jardim dos fundos tirar algumas fotos para enviar ao patrão?
— Aquelas flores foram plantadas pela própria senhora. Se o patrão visse como estão bonitas este ano, ficaria muito feliz.
— Gostariam que eu os levasse até lá?
Tiago Dourado assentiu.
Ele olhou mais uma vez para o escritório e, não vendo nada de estranho, fez um sinal para Alan Netos.
— Certo.
Os dois se viraram e saíram.
A porta do escritório foi fechada suavemente, e o som de seus passos foi se distanciando.
Henrique Serena permaneceu de pé junto à escrivaninha.
Não soube quanto tempo se passou até ouvir o motor de um carro ligando do lado de fora do portão.
Só então ele soltou um longo suspiro de alívio.
Uma brisa passou, e ele sentiu um frio nas costas.
Foi quando percebeu que sua camisa estava encharcada de suor frio.
Ele caminhou rapidamente até a estante, retirou a caixa de metal com cuidado e a colocou em sua pasta.
Ao fechar o zíper, seus dedos ainda tremiam levemente.
— Jovem mestre, está tudo bem?
Seu Silva entrou pela porta, com um olhar preocupado.
— Estou bem, Seu Silva. Graças a você.
Henrique Serena forçou um sorriso, sua voz ainda um pouco tensa.
— Tiago Dourado e os outros não suspeitaram de nada, não é?
— Acredito que não.
Seu Silva balançou a cabeça.
Embora soubesse que o retorno repentino de Henrique Serena à antiga casa não era simplesmente para recordar a falecida senhora, Seu Silva não disse nada.
Afinal, entre João Alves e Henrique Serena, era a este último que ele devia lealdade.
Ao ouvir isso, Henrique Serena assentiu.
Ao ver o nome "João Alves" na tela, ele franziu a testa e olhou para Serena Alves.
— Atende?
— Atendo.
O olhar de Serena Alves se tornou cortante, e ela assentiu.
Ela queria ver o que João Alves tinha a dizer agora.
Ao ouvir isso, Murilo Vieira voltou para o lado da cama, atendeu a chamada e ativou o viva-voz.
— Serena, em dois dias será o aniversário de morte de Maia.
A voz de João Alves veio pelo telefone, com uma ternura sem precedentes que causava desconforto.
— Este ano, que tal organizarmos uma cerimônia apropriada para ela, juntos?
— Vá direto ao ponto.
A voz de Serena Alves era fria, desprovida de qualquer emoção supérflua.
Ela não acreditava em João Alves.
Depois de pedir que ela retirasse a queixa e não obter sucesso, como ele poderia, de repente, ter a boa vontade de organizar uma cerimônia para sua mãe?
Houve um silêncio de dois segundos do outro lado da linha, então João Alves disse:
— Serena, em nome de tudo o que sua mãe fez pelo Grupo Alves, retire a queixa.

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