O coração de Henrique Serena disparou e um suor frio escorreu por suas costas.
Aquelas duas vozes pertenciam aos homens de confiança que João Alves havia deixado na sede da Cidade R: Tiago Dourado e Alan Netos.
O que eles estavam fazendo na antiga casa da família de repente?
Sem tempo para pensar, ele rapidamente enfiou a caixa de metal dentro da capa de um livro antigo na prateleira mais alta da estante.
Em seguida, puxou dois volumes pesados da *História do Brasil* e os colocou na frente, alinhando suas lombadas com as dos outros livros.
À primeira vista, não havia nada fora do lugar.
Feito isso, ele se virou e caminhou até a escrivaninha.
Seus dedos tocaram a caneta-tinteiro que sua mãe, Maia Domingos, costumava usar.
Seu olhar pousou na foto de família sobre a mesa.
Aquela era a última foto que os três tiraram juntos, quando Serena Alves tinha cinco anos.
Depois de tirar a foto, Serena Alves fez questão de colocar o porta-retrato na escrivaninha, para que sua mãe pudesse vê-la a qualquer momento.
Ao pensar nisso, uma névoa úmida surgiu em seus olhos e até sua respiração se tornou mais suave.
A porta do escritório se abriu.
Tiago Dourado e Alan Netos entraram, um atrás do outro.
Seus sapatos de couro produziam um som abafado ao pisar no velho piso de madeira.
— Jovem mestre, por que voltou para a Cidade R tão de repente?
Ao ver Henrique Serena de pé junto à escrivaninha, a voz de Tiago Dourado carregava um tom de alerta, enquanto seu olhar varria o escritório.
Henrique Serena ergueu os olhos, que estavam ligeiramente vermelhos, e seu rosto exibia uma profunda melancolia.
— Têm acontecido muitas coisas ultimamente. Senti saudades da minha mãe e vim fazer uma visita.
— O jovem mestre teve algum desentendimento com o diretor Alves?
Alan Netos se aproximou da estante, passando a mão distraidamente pelas lombadas dos livros.
Eles realmente receberam uma ligação de João Alves, pedindo que fossem à antiga casa para verificar se Henrique Serena havia retornado.
A princípio, não levaram a ordem a sério, pensando que Henrique Serena não voltaria secretamente.
Para sua surpresa, eles o encontraram lá.
Quando os dedos de Alan Netos roçaram os volumes de *História do Brasil* que escondiam a caixa de metal, os nervos de Henrique Serena se retesaram instantaneamente.
Ele apertou a caneta-tinteiro em sua mão discretamente.
Contudo, para manter as aparências, Alan Netos retirou a mão e disse casualmente:
— Já que o jovem mestre está aqui, por que não nos ajuda a escolher o melhor objeto para enviar ao diretor Alves?
Ao ouvir isso, Henrique Serena estendeu a caneta-tinteiro que segurava.
— Levem esta caneta para o meu pai.
— Lembro que foi o presente que ele deu à mamãe no décimo aniversário de casamento deles.
— Certo.
Alan Netos a pegou e olhou para Henrique Serena.
— O jovem mestre não vai embora?
O olhar de Henrique Serena pousou no porta-retrato sobre a mesa, e seus olhos escureceram.
— Quero ficar mais um pouco.
Ao ouvir isso, Alan Netos e Tiago Dourado trocaram um olhar, mas não disseram nada, nem deram sinal de que iriam embora.
O silêncio tomou conta do escritório.
Por um momento, ninguém falou.

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