Ele nunca imaginara que Serena Alves gostava dele.
Durante todo esse tempo, ele pensou que Serena Alves o via apenas como um amigo em quem podia confiar, um parceiro de batalhas.
Nunca pensou que ela tivesse tais sentimentos por ele.
Uma alegria imensa, como uma maré, o inundou instantaneamente, deixando-o quase sem fôlego.
Mas, após essa alegria, o que permaneceu foi uma profunda culpa e um conflito interno.
— Serena, obrigado.
A voz de Murilo Vieira estava embargada.
— Ouvir você dizer isso me deixa muito feliz, tão feliz que estou prestes a enlouquecer.
— Mas eu não posso ser tão egoísta.
Seu olhar se tornou firme.
— Não posso deixar você correr um risco tão grande para ter um filho para me salvar.
— E muito menos deixar você abrir mão da sua vida por minha causa.
— O tratamento para a doença genética não se resume a essa única opção.
— Eu vou encontrar outras maneiras.
— Tenho certeza de que encontrarei outra saída.
Serena Alves, vendo sua teimosia, sentiu-se ao mesmo tempo irritada e aflita.
— Murilo, esta é a única maneira no momento.
— Você vai simplesmente ficar aí e esperar a morte?
— Não é isso que eu quero dizer.
Murilo Vieira segurou a mão dela, sua voz suave, mas firme.
— Eu só não quero que você faça um sacrifício tão grande por mim.
— Confie em mim, eu vou encontrar outra maneira.
Dizendo isso, ele pegou o celular que estava na mesa de cabeceira e, ignorando os protestos de Serena Alves, ligou diretamente para o professor de Fernando Laranjeira.
A chamada foi atendida rapidamente, e uma voz idosa, mas enérgica, soou do outro lado.
— Murilo? Como você está se sentindo?
— Prof. Silva, estou bem.
— Mesmo com alívio temporário, não duraria muito tempo.
A mão de Murilo Vieira que segurava o celular tremia levemente, seus olhos cheios de conflito e dor.
Será que realmente só havia aquela opção?
Ele realmente teria que deixar Serena Alves fazer um sacrifício tão grande por ele?
— Prof. Silva, não há absolutamente nenhuma outra opção?
Murilo Vieira perguntou, sem desistir, sua voz carregada de uma súplica mal disfarçada.
O Prof. Silva ficou em silêncio por um longo tempo antes de dizer lentamente:
— Murilo, não é que eu não queira ajudá-lo, mas sua condição é realmente única.
— No momento, na comunidade médica, não há métodos melhores.
— A menos que seja possível encontrar células-tronco com uma compatibilidade extremamente alta.
— Não necessariamente de um parente de sangue, mas a probabilidade disso é muito baixa, quase nula.
Uma pequena centelha de esperança se acendeu no coração de Murilo Vieira.
— O senhor quer dizer que células-tronco de um não parente também podem ser compatíveis?

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