Ela não estava com disposição para formalidades e foi direto ao ponto.
— A doença genética do avô, Murilo Vieira também tem.
— Desta vez, o ferimento desencadeou uma crise aguda, e ele precisa de células-tronco de um parente de sangue para sobreviver.
Ela olhou para Gabriel Serra, com um olhar suplicante.
— Vocês são irmãos por parte de pai. Você é o único que pode ser compatível.
— Espero que você vá ao hospital fazer o teste de compatibilidade e, se for bem-sucedido, doe suas células-tronco para salvar a vida dele.
A expressão de Gabriel Serra não mudou em nada, como se tivesse ouvido algo insignificante.
Um sorriso zombeteiro surgiu em seus lábios.
— A vida ou a morte de Murilo Vieira, o que eu tenho a ver com isso?
— Vocês são, afinal, irmãos por parte de pai.
Ao ouvir isso, Gabriel Serra sentiu uma pontada no coração.
Seu olhar finalmente mudou.
Ele se lembrou de ter dito algo semelhante a Serena Alves uma vez.
Na época, não pareceu nada demais, mas agora, ao ouvir, soava tão áspero.
— Irmãos? Aquele filho ilegítimo, ele é digno?
Gabriel Serra zombou, seu olhar se tornando frio.
— Serena Alves, como minha esposa, você quer que eu salve outro homem. O que te faz pensar que eu concordaria?
Serena Alves não era ingênua a ponto de pensar que Gabriel Serra concordaria facilmente.
— Eu já denunciei o caso da barriga de aluguel à polícia. Se você estiver disposto a salvar Murilo Vieira, eu posso retirar a queixa.
Essa era a maior concessão que ela poderia fazer.
No entanto, Gabriel Serra balançou a cabeça, seu olhar ainda mais profundo.
— Não é o suficiente.
Serena Alves ficou atônita.
— O que mais você quer?
— Quero que você retire o pedido de divórcio e tenha outro filho.
A voz de Gabriel Serra era autoritária e inquestionável.
— Continue sendo minha Sra. Serra, fique ao meu lado.
— Impossível.
Serena Alves balançou a cabeça sem pensar.
— Gabriel Serra, não há mais possibilidade de sermos um casal.
— Você sabe muito bem que não há mais sentimentos entre nós. Mesmo que eu ficasse ao seu lado, seria apenas uma casca vazia. Que sentido isso teria?
— Se tem sentido ou não, sou eu quem decide.
O sorriso de Gabriel Serra era displicente.
— Serena Alves, você não tem escolha.
O coração de Serena Alves parecia ser apertado por uma mão invisível, doendo tanto que ela mal conseguia respirar.
Ela fechou os olhos.
A imagem de Murilo Vieira se colocando na frente dela para protegê-la, sua aparência sem vida na cama do hospital, o olhar suplicante de Antônia Vieira implorando para que salvasse seu pai, tudo passou por sua mente.
Ela não podia deixar Murilo Vieira morrer.
Ela abriu a boca, prestes a falar, quando se lembrou das palavras de Antônia Vieira antes de sair.
— Tia, para mim e para o papai, você é a mais importante. Não aceite nada estranho do tio Gabriel.
Serena Alves ficou em silêncio por um longo tempo antes de dizer:
— Deixe-me pensar.
— Certo.
O olhar de Gabriel Serra escureceu.
Ele não deixou de notar a hesitação dela.
E foi precisamente por causa dessa hesitação que ele sentiu um nó na garganta.
Quem diria que Murilo Vieira era tão importante para Serena Alves!
O celular em seu bolso tocou insistentemente, quebrando a tensão no escritório.
— Serena!
A voz de Felipe Lacerda, urgente e animada, veio pelo telefone, carregada de uma excitação contida.
— O médico militar chegou ao hospital! Ele está tratando Murilo agora, e disse que ele vai acordar assim que o tratamento terminar!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida em Chamas: O Adeus de Serena Alves