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Renascida em Chamas: O Adeus de Serena Alves romance Capítulo 368

— Mesmo?

Antônia Vieira ergueu o rosto, soluçando, para olhar para Serena Alves.

Um brilho de compaixão passou pelos olhos de Serena Alves.

Contendo as lágrimas, ela tocou de leve no narizinho dela.

— Claro que é verdade. Quando foi que a tia mentiu para você?

Se Antônia não era filha biológica, então os únicos parentes de sangue de Murilo Vieira eram Gabriel Serra e Miguel Serra.

Miguel Serra tinha a mesma idade de Antônia Vieira.

Mesmo que ele já a tivesse magoado profundamente, ela não queria que Miguel doasse células-tronco, a menos que fosse absolutamente necessário.

Então, restava apenas... Gabriel Serra!

Pensando nisso, Serena Alves soltou Antônia Vieira, levantou-se com um brilho de esperança nos olhos, pegou o celular e ligou para Gabriel Serra.

— Srta. Alves.

— Luciana Domingos?

Ao ouvir a voz de Luciana Domingos, um lampejo de surpresa passou pelos olhos de Serena Alves.

A não ser em circunstâncias especiais, Gabriel Serra geralmente não deixava ninguém tocar em seu celular.

— Onde está Gabriel Serra? Preciso falar com ele com urgência. Peça para ele atender.

— O diretor Serra não pode atender no momento.

Luciana Domingos olhou para Gabriel Serra, deitado na cama, inconsciente de bêbado, e disse, desamparada:

— Desde que foi demitido, o diretor Serra tem ficado na antiga mansão. Se a Srta. Alves tem algo urgente, talvez seja melhor vir falar pessoalmente.

Desde que saíra da Agência de Segurança Nacional e voltara para a antiga mansão, Gabriel Serra bebia todos os dias como se fosse água.

Luciana Domingos tentou de tudo, mas ele não a ouvia.

Ela estava hesitando se deveria ligar para Serena Alves e pedir que viesse à mansão para tentar conversar com Gabriel Serra, quando, para sua surpresa, Serena Alves ligou primeiro.

— Certo.

Desligando o telefone, Serena Alves se virou para Felipe Lacerda.

— Diretor Lacerda, eu...

— Se você tem algo a fazer, vá. Eu cuido das coisas aqui.

Felipe Lacerda, vendo sua expressão ansiosa, sabia que ela queria pedir a Gabriel Serra para doar células-tronco para Murilo Vieira.

Ele não a impediria.

— Quando o médico militar chegar, eu cuidarei de tudo. Fique tranquila.

— Obrigada.

Serena Alves abaixou a cabeça e afagou o cabelo de Antônia Vieira.

— Antônia, espere pela tia aqui, quietinha. A tia vai trazer boas notícias, tudo bem?

Antônia Vieira assentiu obedientemente.

Como se lembrasse de algo, sua pequena mão apertou os dedos dela com força.

— Tia, não se force. Se o tio Gabriel te tratar mal...

Ela hesitou por um momento e, finalmente, cerrou os dentes.

— Não aceite. Para mim e para o papai, a tia é a pessoa mais importante.

— Se o papai só for salvo porque você aceitou alguma coisa estranha do tio Gabriel, ele não ficará feliz quando acordar.

A tristeza que ele afogava na bebida provavelmente não era pela empresa ou por Giselle Castro.

Era por ter sido tão tolo a ponto de usar sua esposa como barriga de aluguel por causa de Vera Barbosa, sua primeira paixão.

Por ter usado sua posição como presidente do Grupo Serra para dar tantas vantagens a Vera Barbosa, apenas para ser enganado por ela no final.

Pensando no amor sincero que um dia dedicou a ele, Serena Alves sentiu uma ironia amarga.

Aqueles que traem um coração sincero merecem engolir mil agulhas.

Ele traiu o coração dela e recebeu sua punição através de Vera Barbosa.

Ao entrar no quarto principal, Serena Alves avistou Gabriel Serra imediatamente.

Ele estava sentado em uma poltrona de madeira perto da janela.

A luz do sol, filtrando-se pela treliça entalhada, projetava-se sobre ele, delineando o perfil rígido de seu rosto.

Seu olhar era profundo, com um toque sutil de preguiça e distanciamento.

Ao ouvir os passos, Gabriel Serra ergueu os olhos.

Seu olhar pousou em Serena Alves, sem surpresa, apenas com uma leve análise.

— O que veio fazer aqui?

— Veio ver o quão miserável eu estou?

— Fui eu que causei isso?

Serena Alves sentou-se na poltrona ao lado dele, seu olhar calmo e impassível.

Houve um tempo em que ela desejou a morte de Gabriel Serra inúmeras vezes.

Mas agora, ao vê-lo tão abatido, não sentia nenhuma satisfação.

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