O quarto do hospital estava tão silencioso que se podia ouvir o bipe dos equipamentos médicos.
Murilo Vieira estava deitado na cama, as pálpebras fechadas, o rosto pálido quase transparente sob a luz.
O olhar de Serena Alves pousou em seu braço, envolto em uma grossa camada de gaze.
A mão que segurava o celular apertou.
Depois de tanto tempo e esforço, finalmente conseguira a prova que Pedro Barbosa tinha.
Ela realmente queria ver Márcia Nunes ser presa e vingar sua mãe.
Mas Murilo Vieira se ferira por causa dela, desencadeando a doença genética hereditária.
Agora, ele nem sequer conseguia ficar acordado e precisava de alguém ao seu lado.
— Sr. Castro.
A voz de Serena Alves estava um pouco rouca.
— Não posso sair daqui. Por favor, me mantenha informada sobre o andamento do caso.
— Certo. — Endrick Castro concordou prontamente. — Se houver qualquer novidade, eu te ligo.
Desligando o telefone, Serena Alves se sentou ao lado da cama, olhando para Murilo Vieira, que dormia.
Só então ela percebeu o quão importante Murilo Vieira havia se tornado em seu coração.
-
Mansão da família Alves.
As luzes vermelhas e azuis da polícia cortaram a tranquilidade da manhã.
Ao ouvir o som das sirenes, o coração de Márcia Nunes deu um salto.
A mão que segurava o copo de leite tremeu.
— O que está acontecendo? — João Alves largou o tablet e olhou para o mordomo.
O mordomo, sem entender, saiu da sala de jantar para verificar.
Antes que pudesse chegar ao saguão, viu Endrick Castro entrar com vários policiais.
— Márcia Nunes é suspeita de homicídio por encomenda. Vamos prendê-la de acordo com a lei. Por favor, cooperem.
Endrick Castro mostrou seu distintivo e, contornando o mordomo, entrou diretamente na sala de jantar.
Ao ver Márcia Nunes, ele lançou um olhar para os policiais atrás de si.
Os policiais entenderam e se moveram para algemar Márcia Nunes.
Márcia Nunes, ao ver o mandado de prisão nas mãos do policial, ficou pálida como um fantasma, mas forçou a compostura.
— Policiais, deve haver algum engano. Eu estive em casa o tempo todo, nunca fiz nada ilegal.
— Márcia Nunes.
Endrick Castro deu um passo à frente, seu olhar afiado, e estendeu um arquivo de áudio.
— Esta é a prova crucial fornecida por Pedro Barbosa. Nela, está claramente registrado como você instruiu Seu Souza a causar o acidente de carro e assassinar a Sra. Maia Domingos, e como depois ameaçou Pedro Barbosa para que ele se calasse. O que mais você tem a dizer?
— Impossível!
Márcia Nunes olhou para João Alves.
— Temos uma cadeia completa de evidências, não nos baseamos apenas na gravação.
Endrick Castro já tinha ouvido de Serena Alves sobre o pai e o filho.
Ao ouvir aquilo, suspirou internamente pela tolice dos dois, mas sua expressão não mudou.
Ele novamente sinalizou para os policiais avançarem.
— Márcia Nunes, venha conosco. O que tiver a dizer, diga na delegacia.
Henrique Serena estendeu a mão para impedir os policiais.
— Não podem levar a tia Márcia! Sem provas concretas, vocês não podem prender pessoas arbitrariamente!
— Sr. Alves, por favor, coopere. Obstruir a justiça é crime.
O tom de Endrick Castro tornou-se frio, e um brilho severo passou por seus olhos.
Os policiais aproveitaram a oportunidade para se aproximar, pegando as algemas para prender Márcia Nunes.
Márcia Nunes sabia que desta vez não havia escapatória.
Ela conteve o medo e se levantou.
— Não dificultem as coisas para eles. Eu vou com vocês à delegacia.
Com os olhos vermelhos, ela olhou para o pai e o filho da família Alves, sua voz suplicante.
— Quando eu não estiver em casa, cuidem-se bem. E Talita, ela está sozinha no exterior. Henrique, como irmão mais velho, cuide dela.
— Quanto a Serena Alves... não a culpem. Ela também sofreu muito todos esses anos.

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