Ao ouvir isso, o sangue sumiu do rosto de Serena Alves, e seu corpo vacilou.
Era verdade!
Ele também era portador da doença genética do avô!
Quando soube disso, deveria tê-lo feito fazer um exame!
A culpa era dela, que esteve tão ocupada ultimamente, com um problema atrás do outro, que se esqueceu completamente disso.
— Essa doença é muito discreta, geralmente sem sintomas óbvios. Ela só se manifesta em casos de grande trauma ou estresse.
O médico, pensando que Serena Alves não conhecia a condição de Murilo Vieira, continuou a explicar.
— Já tomamos medidas de tratamento de emergência e estabilizamos temporariamente a condição dele, mas ele precisará de tratamento e observação a longo prazo e não pode sofrer mais nenhum estímulo.
As lágrimas de Serena Alves caíram instantaneamente, e a culpa em seu coração se intensificou.
Se não fosse por ela ter se esquecido de levar Murilo Vieira para um check-up com Marina Barbosa, será que a situação de hoje teria acontecido?
Ela se lembrou de como Murilo Vieira, para ajudá-la, se arriscou repetidamente.
Desta vez, ele se feriu para salvá-la, o que desencadeou a doença.
Se não fosse por ela, talvez ele não estivesse assim.
— Doutor, por favor, eu imploro, cure-o. Não importa quanto custe, não importa o preço, estou disposta a pagar. — Serena Alves agarrou a mão do médico, com a voz embargada.
— Faremos o nosso melhor.
O médico assentiu.
— O paciente precisa descansar agora. Vocês podem ir vê-lo no quarto, mas mantenham o silêncio.
Serena Alves assentiu e, quando estava prestes a seguir a enfermeira até o quarto, pareceu se lembrar de algo e perguntou:
— Ouvi dizer que essa doença pode ser curada com células-tronco...
Essa foi a desculpa que Giselle Castro usou quando fez Miguel Serra fingir estar doente para que ela engravidasse.
O médico não esperava que Serena Alves já tivesse pesquisado sobre o assunto.
Uma surpresa brilhou em seus olhos, e ele assentiu.
— Existe essa probabilidade, mas as células-tronco precisam ser de um parente de sangue.
— E, mesmo assim, não é garantido que a compatibilidade seja bem-sucedida.
Ao ouvir isso, Serena Alves suspirou de alívio.
Era possível.
Um brilho de relutância passou por seus olhos.
Embora fosse cruel para Antônia Vieira, se pudesse salvar Murilo Vieira, ela acreditava que Antônia concordaria.
Mesmo que Antônia não quisesse, ela poderia pedir a Gabriel Serra.
Afinal, eles eram irmãos por parte de pai...
Com um plano em mente, Serena Alves respirou fundo, conteve o pânico e seguiu a enfermeira até o quarto.
Murilo Vieira estava deitado na cama, o rosto ainda pálido, os olhos fechados, a testa levemente franzida, como se estivesse sofrendo.
Serena Alves se aproximou silenciosamente da cama.
— Alô? Serena, por que está ligando tão cedo?
Ouvindo a voz claramente sonolenta, Serena Alves baixou o tom.
— Diretor Lacerda, desculpe ligar tão cedo...
Ela resumiu os acontecimentos da noite anterior e contou a Felipe Lacerda sobre a condição de Murilo Vieira.
— Eu sei que você tem como entrar em contato com o exército. Você poderia tentar conseguir que eles enviem um médico militar para examiná-lo?
— E aquele remédio especial que usaram no vovô Serra, será que o Murilo pode usar?
Do outro lado da linha, Felipe Lacerda ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Entendi. Vou tentar perguntar.
Não era que ele pudesse contatar o exército, era que ele podia contatar Murilo Vieira.
Até mesmo o maior acionista por trás da Nexora era Murilo Vieira!
Agora que Murilo Vieira estava em apuros, ele só podia engolir o orgulho e contatar o General Castro.
Esperava que o General Castro, em consideração aos tantos méritos de Murilo Vieira, o ajudasse.
Desligando o telefone, Serena Alves se levantou e foi ao banheiro lavar o rosto com água fria.
Assim que se sentou novamente ao lado da cama, o telefone tocou.
Vendo que era Endrick Castro, Serena Alves atendeu rapidamente.
— Srta. Alves, já conseguimos a gravação de Pedro Barbosa. Estamos a caminho da mansão da família Alves para prender Márcia Nunes. Você quer vir?

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