ELIZABETH WINTER
O jantar foi servido na sala formal, mas o clima era tudo, menos formal. A mansão Winter tinha risadas altas, crianças correndo ao redor da mesa e histórias absurdas sendo contadas.
Comemos, bebemos vinho e contamos sobre as aventuras. Eles ouviam fascinados. Apollo e Orion estavam de boca aberta.
— Você comeu um escorpião, pai? — Apollo perguntou.
— Comi. E tem gosto de batata frita velha. — Alex respondeu, fazendo-os rir.
Quando a sobremesa foi servida, troquei um olhar com Alex.
— Acho que está na hora. — Falei.
— Hora do quê? — Leah perguntou, com a boca cheia de torta.
— Dos presentes. — Alex se levantou e foi até o hall, onde tínhamos deixado uma mala específica. A mala dos "contrabandos".
Ele voltou arrastando a mala de couro caramelo estufada. Colocou-a no tapete da sala de estar e a abriu.
Era como abrir a caixa de Pandora, mas em vez de males, saíram tesouros do mundo todo.
— Ok, organização! — Chamei, sentindo-me o Papai Noel. — Crianças primeiro.
Para os gêmeos, Apollo e Orion, e para o pequeno Danian, a tarefa tinha sido hercúlea. Tínhamos trazido um item de cada um dos treze destinos.
— Tailândia! — Alex tirou elefantes de madeira teca esculpidos à mão.
— Vietnã! — Chapéus cônicos de palha e flautas de bambu.
— França! — Globos de neve da Torre Eiffel e boinas.
— Peru! — Bonecos de alpaca feitos de lã real, eram macios como nuvens.
— Brasil! — Chocalhos indígenas e penas coloridas.
— África do Sul! — Escudos de guerreiros Masai em miniatura.
— Índia! — Tigres de pelúcia e carrinhos de Tuk-Tuk de metal.
— Japão! — Robôs de brinquedo vintage e espadas de samurai de madeira. Stella nos olhou feio por essa, mas os meninos surtaram.
— Escócia! — Ursos de pelúcia vestindo Kilt.
— Itália! — Bonecos do Pinóquio de madeira.
— Marrocos! — Camelos de couro.
— Austrália! — Boomerangs pintados com arte aborígene.
— Antártida! — Pinguins de pelúcia que usavam cachecóis laranjas iguais às nossas parkas.
A sala virou uma bagunça de brinquedos internacionais.
Para Maxine, trouxemos coisas mais delicadas: um cobertor de lã de alpaca do Peru, um vestidinho de seda do Vietnã e, claro, um pinguim de pelúcia maior que ela.
— E para os adultos... — Alex disse, tirando caixas menores e mais elegantes.
Para Damian, uma garrafa de uísque escocês envelhecido que compramos nas Highlands, direto da destilaria.
Para Stella, um conjunto de óleos essenciais raros do Marrocos e um xale de Pashmina da Índia, tão fino que passava por dentro de uma aliança.
Para Leah, um kit de especiarias do mercado de especiarias de Istambul e um livro de receitas francês autografado por um chef que conhecemos em Paris.
— Bom, queridos... — Ela começou, com a voz doce demais. — Como vocês me deram controle total, e como eu sei que vocês são imprevisíveis e poderiam decidir fugir para Marte a qualquer momento... eu tomei a liberdade de agilizar as coisas.
— Agilizar quanto, Elaine? — Alex perguntou, cauteloso.
— Tudo está pronto. — Ela juntou as mãos.
— Mãe... — Minha voz saiu num fio. — Quando?
Ela sorriu.
— Amanhã.
Pisquei e o mundo girou um pouco.
— Desculpe, acho que ainda estou com o ouvido entupido do voo. — Falei, rindo nervosamente. — Eu ouvi você dizer "amanhã"?
— Amanhã à noite. — Ela confirmou, radiante. — Às 19h em ponto. O jantar de ensaio foi tecnicamente este jantar aqui. Surpresa!
Arregalei os olhos. Olhei para Alex. O queixo dele estava quase no chão.
— Amanhã?! — Nós dois gritamos juntos.
— Amanhã! — Leah gritou do outro lado da sala, levantando sua taça. — EU SABIA! E EU NÃO PODIA CONTAR! EU VOU SER MADRINHA AMANHÃ!
— Mas... mãe! — Levantei-me, em pânico. — Jet lag! Meu cabelo! Eu nem sei os votos! Nós acabamos de chegar de uma viagem de 24 horas!
— Detalhes, Elizabeth. — Minha mãe abanou a mão, dispensando minhas preocupações como se fossem moscas. — Vocês tiveram um ano de férias. Agora é hora de trabalhar. Vocês vão subir, tomar um banho, dormir aqui em casa, e amanhã às 8h da manhã a equipe de beleza chega.
Ela caminhou até nós, beijou minha bochecha pálida e deu tapinhas no rosto chocado de Alex.
— Bem-vindos à vida real, crianças. O recreio acabou. O casamento Winter-Hampton é amanhã. E vai ser perfeito, porque fui eu quem fiz, é claro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!