ALEXANDER HAMPTON
SETE ANOS DEPOIS...
Era um sábado de sol no Central Park.
Eu e Lizzy estávamos sentados num banco, tomando sol, observando nossas "criaturas" soltas na natureza.
Noah William tinha onze anos agora. Ele estava alto para a idade, com os ombros largos que puxou do avô materno e o meu cabelo bagunçado. Ele era o garoto popular da escola, capitão do time de futebol e, secretamente, um nerd que ainda adorava dinossauros.
Maya Elaine tinha sete anos. Ela era uma miniatura exata de Lizzy, com os mesmos olhos expressivos e a mesma teimosia. Ela usava maria-chiquinhas e um vestido rosa que já estava sujo de terra nos joelhos.
Eles estavam brincando perto da caixa de areia, construindo o que parecia ser um castelo.
— Eles se dão tão bem. — Lizzy comentou, descansando a cabeça no meu ombro. — Eu tinha medo que a diferença de idade atrapalhasse.
— O Noah leva a sério o trabalho de guarda-costas. — Ri. — Às vezes até demais. Ontem ele rosnou para um menino que pediu o copo emprestado para a Maya na escola.
De repente, a paz foi quebrada.
Um grupo de três meninos maiores se aproximou do castelo de areia. Vi a linguagem corporal mudar. Um deles, um garoto robusto de boné virado para trás, chutou a torre que Maya tinha acabado de construir.
— Ei! — Ouvi a voz de Maya, aguda e indignada.
Noah, que estava pegando água na fonte ali perto, largou o balde e correu de volta. Ele se colocou entre a irmã e o garoto maior, empurrando-o para trás.
— Não mexe com ela! — Noah gritou.
O garoto riu e empurrou Noah de volta.
Lizzy e eu nos levantamos no mesmo instante.
O garoto se abaixou, pegou uma pedra no chão e arremessou.
A pedra acertou a testa de Noah, que cambaleou para trás, segurando a cabeça, gritando de dor.
Começamos a correr.
Mas não fomos rápidos o suficiente. Maya foi.
Ao ver o irmão ferido, a minha princesinha de sete anos e maria-chiquinhas avançou.
Com um movimento preciso que eu reconheci imediatamente, Maya girou o corpo e desferiu um chute certeiro, potente e perfeito, bem no meio das pernas do agressor.
O garoto soltou um som que só cachorros podiam ouvir, ficou roxo e desabou de joelhos na areia, segurando suas "joias".
Os amigos dele recuaram, assustados.
Chegamos lá ofegantes.
— Maya! Noah! — Lizzy se ajoelhou ao lado de Noah, examinando a testa dele. — Você está bem? Deixa a mamãe ver.
— Tô bem, mãe. — Noah fez uma careta de dor. — Só foi uma pedrada.
Me virei para o garoto no chão, que ainda gemia em posição fetal. Os pais dele estavam correndo em nossa direção, gritando.
— O que aconteceu aqui?! — O pai do garoto berrou. — Sua filha atacou meu filho!
— Seu filho jogou uma pedra no meu! — Retruquei, ficando de pé e usando toda a minha altura para intimidar. — E chutou a construção da minha filha. Ele começou.
— Ela é uma selvagem! — A mãe gritou.
Olhei para Maya. Ela estava parada ao lado de Noah, com os punhos fechados e a respiração acelerada. Ela não parecia arrependida. Nem um pouco. Eu também não estaria.
— Crianças são crianças. Não vou levar isso mais longe, já que minha filha devolveu a agressão. Vamos levar o Noah para ver esse ferimento. — Ao olhar o ferimento sangrando os pais do garoto recuaram.
— Entendido. — Os dois disseram em uníssono.
Lizzy entrou na sala, aliviada.
— Nada grave. Só um hematoma feio. Gelo e repouso. — Ela olhou para nós três, desconfiada dos sorrisos cúmplices. — O que eu perdi?
— Nada. — Respondi, pegando a mão dela. — Estávamos falando sobre sorvete. Acho que todos merecemos depois de tudo que houve.
— Sorvete! — Maya gritou, voltando a ser uma criança normal de sete anos.
Saímos do hospital. Noah com o curativo na testa, Maya saltitando, e eu e Lizzy logo atrás.
Eu sabia que o futuro deles seria brilhante. Mas também sabia que aquele garoto no parque não seria o último a cair de joelhos.
O FUTURO (SPOILER)
Noah William Hampton vestiu o terno de CEO. Ele assumiu o comando da Fox & Maple quando Alex decidiu se aposentar para viajar o mundo com Lizzy. Sob sua gestão calma e estratégica, a marca chegou à Europa e à Ásia. Ele era conhecido no mundo dos negócios como "O Diplomata". Casou-se com uma professora francesa e tiveram três filhas.
Sobre Maya Elaine Hampton, bom, as lições de autodefesa evoluíram para algo muito maior: o Código Penal.
Maya se formou em Direito em Columbia. Ela não quis trabalhar na empresa do pai e do irmão diretamente. Escolheu ser Advogada e, eventualmente, abriu seu próprio escritório de advocacia em Nova York.
Pequena, elegante e absolutamente letal com as palavras.
Dizem que, sempre que a Fox & Maple enfrentava algum problema legal ou alguém tentava passar a perna em Noah nos negócios, Maya aparecia e, em dez minutos, fazia os adversários suarem frio e pedirem desculpas.
Porque a regra dos Hampton continuava a mesma, seja no parquinho ou na sala da presidência: Ninguém mexe com a família.
Quanto a seu marido, depois de enfrentar corajosamente o pai e o irmão de Maya, conseguiu aprovação e se tornou parte dos Hampton. O casal teve um filho que orgulhosamente chamaram de Alexander, pois Maya desejava que ele fosse como seu amado pai.
FIM DO BÔNUS

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!