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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 180

STELLA WINTER

QUATRO MESES DEPOIS

Quatro meses de uma felicidade tão profunda e estável que parecia ter solidificado o próprio ar que eu respirava. A gravidez, desta vez, foi diferente do que eu já havia vivido. Não havia medo, nem incerteza. Não havia a sombra de um futuro desconhecido ou a necessidade de ser forte sozinha. Havia apenas paz, cuidado e um marido que me tratava como se eu fosse feita do vidro mais fino e precioso.

Minha barriga estava imensa, uma esfera orgulhosa que anunciava a chegada da nossa filha. Eu me sentia como uma baleia, mas uma baleia muito amada e mimada. Damian havia assumido todas as rédeas quando completei 6 meses, gerenciando a casa, as crianças e a empresa com sua eficiência habitual, seu foco principal era eu e meu conforto. Ele monitorava minha ingestão de água, massageava meus pés inchados todas as noites e olhava para minha barriga como se ela contivesse todos os segredos do universo.

Era uma noite de sábado, chuvosa e preguiçosa. Havíamos passado o dia de pijama, assistindo a filmes e comendo pipoca. Os meninos estavam correndo pela sala de estar em uma perseguição barulhenta de "monstro", com Damian sendo o monstro, claro, rugindo e fazendo cócegas neles até que todos estivessem sem fôlego de tanto rir.

Eu observava do sofá, um sorriso permanente no rosto e a mão apoiada na minha barriga, onde nossa filha parecia estar dando uma festa de dança em resposta ao barulho.

— Certo, exército. — Damian anunciou, ofegante, levantando-se do tapete. — Está na hora do banho. O monstro declarou trégua.

— Ah, não! Só mais cinco minutos! — Danian implorou.

— Nem mais cinco segundos. Para cima. Apollo, Orion, vocês primeiro. — Damian ordenou, e com uma relutância grande, os três começaram a subir as escadas.

Com um suspiro de esforço, usei os braços do sofá para me impulsionar. O dia todo, eu senti uma pressão diferente. Mas as contrações de treinamento eram minhas companheiras constantes há semanas, então não dei muita atenção.

Levantei-me e me espreguicei, sentindo as costas reclamarem. E foi então que aconteceu.

Não foi um dilúvio, como nos filmes. Foi um "pop" suave, quase imperceptível, seguido por um fluxo quente e incontrolável de líquido escorrendo pelas minhas pernas e encharcando minhas calças de moletom.

— Ah. — foi tudo o que eu disse.

Damian, que estava no meio da escada, parou e se virou. Ele viu a poça se formando aos meus pés. Vi seus olhos se arregalarem e ele ficou branco como um fantasma.

— Stella? — a voz era uma oitava acima do normal.

— Oi, marido. — eu disse, com um sorriso calmo. — Acho que a sua filha decidiu que está na hora de conhecer você.

O cérebro de Damian pareceu entrar em curto-circuito. Ee ficou paralisado. Então, o pânico tomou conta.

— MEU DEUS! — ele gritou, descendo as escadas, quase caindo no último degrau. — A BOLSA! A BOLSA ESTOUROU! LARISSA! LARISSA, LIGUE PARA O HOSPITAL! LIGUE PARA A AMBULÂNCIA! LIGUE PARA O EXÉRCITO!

Ele começou a correr em círculos pela sala de estar, como uma galinha sem cabeça.

— Onde está a mala? A mala! Eu a deixei na porta! — ele correu para o hall, agarrou a mala de ginástica que ele usava para a academia e correu de volta. — Estou com ela! Vamos!

Eu não pude evitar. Comecei a rir.

— Damian. — chamei.

Ele parou, ofegante.

— O QUE FOI? ESTÁ DOENDO? AS CONTRAÇÕES! VOCÊ ESTÁ TENDO CONTRAÇÕES?

— Damian. — falei novamente, ainda rindo. — Essa é a sua mala de ginástica. A minha é a azul, que está ao lado da porta do nosso quarto, onde está há três semanas, como combinamos.

— Certo! A mala azul! — ele largou a mala de ginástica e disparou escada acima.

— E, amor? — chamei.

Ele parou na metade do caminho, parecendo um animal assustado.

— O quê?!

— Eu vou tomar um banho rápido.

A expressão no rosto dele foi impagável. Parecia que eu tinha acabado de sugerir que fôssemos plantar um jardim.

— UM BANHO? AGORA? STELLA, O BEBÊ ESTÁ SAINDO! A CRIANÇA VAI NASCER NO TAPETE!

— Querido. — eu disse, caminhando lentamente em sua direção e pegando seu rosto entre minhas mãos. Ele estava tremendo. — As contrações mal começaram. Está tudo bem. Não vamos ter um bebê no tapete. Eu prometo. Eu não vou para o hospital grudenta de suor e... bem, de líquido amniótico. Agora, respire fundo. Pegue a mala certa. Coloque-a no carro. Pegue meu casaco. E me espere aqui embaixo. Eu não vou demorar.

Beijei-o suavemente. Ele assentiu, entendendo as ordens.

— Certo. Mala azul. Carro. Casaco. Esperar. — ele repetiu, antes de disparar escada acima.

Subi atrás dele, em um ritmo muito mais lento. Enquanto eu entrava no banheiro, ele passou por mim como um foguete, com a mala certa na mão.

O banho quente foi divino, acalmando meus nervos e os primeiros espasmos de dor que começavam a se formar em minha lombar. Vesti um vestido de moletom confortável e, quando saí, encontrei Larissa no corredor com três meninos de pijama com expressões de confusão e animação.

— Uau, mamãe. Você com certeza não perdeu tempo. Já está com oito centímetros de dilatação.

A partir daí, as contrações, que antes eram leves, vieram com força total, uma onda após a outra, roubando meu fôlego.

A médica chegou, e de repente, o quarto estava cheio de uma energia focada.

— Certo, Stella. Na próxima contração, preciso que você faça força.

Respirei fundo. Olhei para Damian e ele assentiu.

Reuni toda a força que tinha. A dor era ofuscante, mas eu me concentrei nela, usei-a.

E então, depois de um esforço que pareceu rasgar minha alma, a dor foi substituída por um alívio súbito.

Seguido pelo som mais lindo do mundo.

Um choro. Forte e cheio de vida.

— Ela está aqui! — a médica anunciou. — Ela é perfeita!

As lágrimas que eu segurei rolaram livremente. Soltei a mão de Damian e estendi os braços. Eles a colocaram em meu peito, um pequeno ser molhado, quente e gritante. Ela era minúscula.

Ela tinha tufos de cabelo escuro e rebelde, exatamente como o pai, mas tinha meus olhos azuis.

— Olá, meu amor. — chorei, beijando-a.

Damian estava ao meu lado, o rosto coberto de lágrimas, completamente desfeito. Ele estendeu um dedo e tocou a bochecha dela. Ela parou de chorar, como se o reconhecesse.

— Ela é... nossa.

— Ela é nossa. — confirmei, rindo e chorando.

— Qual é o nome dela, mamãe? — perguntou a enfermeira.

— Maxine. — eu disse, a voz cheia de certeza. — O nome dela é Maxine Winter, porque sei que ela fará grandes coisas.

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