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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 170

DAMIAN WINTER

Sentei-me, ajustando o microfone e foquei no promotor.

— Sr. Winter, por favor, diga seu nome e ocupação para o tribunal.

— Damian Winter. Sou o CEO das Winter enterprises.

— Sr. Winter, o senhor conhecia a ré, Célia Pósitron?

— Sim. Ela era minha sogra. Eu fui casado com a filha dela, Sophie.

— E como era sua relação com a Sra. Pósitron após o falecimento de sua esposa?

— Inexistente. Não tínhamos contato.

— Então, por que o senhor foi à casa dela no dia seis de junho? — A pergunta era a primeira pedra do alicerce que ele estava construindo.

— Eu fui para salvar meu pai. Célia Pósitron havia arquitetado um plano para me incriminar pelo assassinato de um homem chamado Nathan Ponlic. Meu pai, em um ato para me proteger, assumiu a culpa e se entregou. Eu descobri a verdade e fui até a casa de Célia para confrontá-la e conseguir uma confissão que provaria a inocência do meu pai.

— Então o senhor foi lá deliberadamente para fazê-la confessar?

— Eu fui lá para expor a verdade.

— E o senhor conseguiu?

— Sim.

— Sr. Winter, pode nos contar, com suas próprias palavras, o que aconteceu naquela sala de estar?

Respirei fundo, o filme daquele dia passando em minha mente com uma clareza vívida e indesejada.

— Eu a confrontei diretamente. Disse a ela que sabia que ela estava por trás da morte de Nathan. No início, ela negou, riu de mim. Mas eu insisti. Mencionei sua filha, Sophie. Foi quando a fachada dela começou a ruir.

— E o que ela disse?

— Ela confessou tudo. — olhei diretamente para o júri, doze pares de olhos fixos em mim. — Ela admitiu que o plano original era matar Nathan Ponlic e me incriminar, para que, com a minha prisão, Sophie tivesse a guarda total do meu filho, Danian, e consequentemente, acesso à minha fortuna. Ela disse que, após a morte de Sophie, ela seguiu com o plano como uma forma de vingança contra mim.

Um murmúrio percorreu a galeria. O juiz bateu o martelo, pedindo "Ordem no tribunal".

— E o que aconteceu depois que ela confessou, Sr. Winter?

— Eu disse a ela que seu plano havia falhado e que ela iria para a cadeia. Eu a insultei. Insultei a memória de sua filha. Eu queria que ela sentisse uma fração da dor que causou à minha família. Então, eu me virei para sair.

— E foi nesse momento que ela atirou no senhor?

— Não imediatamente. Ela me mandou parar. Quando me virei, ela estava com uma pistola apontada para o meu peito. Ela disse que seria mais fácil se livrar de mim ali mesmo. Ela encenou uma ligação para o marido, planejando culpá-lo pelo meu assassinato.

— Mas a polícia chegou.

— Sim. Eu estava usando uma escuta, em coordenação com a polícia. Quando o alarme da propriedade soou, ela percebeu que não era seu marido e que estava encurralada.

— E então?

— Ela disse: "Você pode ter ganhado. Eu posso até ser presa. Mas você não vai ficar vivo para ver isso". E então ela puxou o gatilho.

Sr. Davies fez uma pausa, deixando a força de minhas palavras assentar sobre a sala.

— Eu não tenho mais perguntas para esta testemunha, meritíssimo.

Ele voltou para sua mesa. Agora vinha a parte difícil.

Marcus Thorne se levantou, ajeitando seu terno caro. Ele deslizou até o púlpito com a confiança de um showman, o sorriso falso ainda estampado no rosto.

— Bom dia, Sr. Winter. Deve ter sido um dia muito traumático para o senhor. — começou ele, com a voz melosa. Não respondi. Apenas o encarei. — O senhor se descreveria como um homem calmo? De temperamento controlado?

— Eu me descreveria como um homem que reage propriamente a cada situação.

— Uma resposta evasiva. — disse Thorne, sorrindo para o júri. — Vamos tentar de novo. Não é verdade que o senhor tem um histórico de... explosões de temperamento? Que seu casamento com a falecida Sophie foi marcado por brigas e discussões acaloradas?

— Meu casamento com Sophie foi complicado. — admiti, com a mandíbula cerrada.

— "Complicado". É uma forma delicada de dizer. O senhor a amava?

— Objeção, meritíssimo. Isso é irrelevante. — a voz de Davies interrompeu.

— Prossiga com cautela, Sr. Thorne. — advertiu o juiz.

Olhei para Thorne, depois para os doze rostos no júri, e então, diretamente para Célia.

— Objeção. O advogado está tirando conclusões. — disse Davies.

— Vou reformular. — disse Thorne, o sorriso de tubarão de volta. — Não foi sua intenção, Sr. Winter, ir até lá e provocar aquela mulher até que ela perdesse o controle? Não foi esse o seu plano o tempo todo, sabendo que seus amigos da polícia estavam ouvindo? Criar uma situação em que ela parecesse culpada?

Ele se inclinou para a frente, a voz um sussurro venenoso que todos podiam ouvir.

— O senhor não a empurrou para o limite, Sr. Winter? Não foi o senhor quem causou a reação que se seguiu?

Era a armadilha. Ele queria que eu me defendesse, que me justificasse, que parecesse culpado. Mas eu não ia jogar o jogo dele.

Respirei fundo, deixando o silêncio se esticar.

— Sim, Sr. Thorne. Eu disse essas coisas. Eu disse coisas cruéis e terríveis em um momento de raiva, para uma mulher que estava destruindo a vida do meu pai e tentou destruir a minha. Eu admito isso. — fiz uma pausa, varrendo o júri com o olhar. — Mas as minhas palavras, por mais feias que fossem, não tinham o poder de reescrever o passado. Minhas palavras não mataram Nathan Ponlic e o deixaram em uma poça de sangue. Minhas palavras não elaboraram um plano para me mandar para a prisão por um crime que eu não cometi. Minhas palavras não pegaram aquela pistola de um armário, não a destravaram, e minhas palavras, Sr. Thorne, certamente não puxaram o gatilho. As ações dela fizeram isso. A ganância dela fez isso. O ódio dela fez isso. Não as minhas palavras.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. O sorriso de Thorne vacilou. Eu não tinha caído na armadilha. Eu a havia desarmado.

— Eu... sem mais perguntas. — ele murmurou, voltando para sua mesa, visivelmente abalado.

Davies se levantou brevemente.

— Apenas uma pergunta para esclarecer, Sr. Winter. Independentemente de qualquer palavra trocada naquela sala, quem apontou a arma para o senhor e atirou?

Olhei diretamente para a mulher sentada na mesa da defesa.

— Célia Pósitron.

— Obrigado. Nada mais, meritíssimo.

O juiz assentiu.

— A testemunha está dispensada.

Levantei-me, as pernas um pouco trêmulas pela adrenalina. Caminhei de volta para o meu lugar, sem olhar para ninguém, até me sentar ao lado de Stella. Sua mão imediatamente encontrou a minha por baixo da mesa, seus dedos se entrelaçando nos meus com força.

— Você foi muito bem, amor. — Ela sussurrou para mim e sorri em gratidão.

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