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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 163

STELLA HARPER

Era um novo dia.

Dentro de mim, uma nova ansiedade começava a se formar. William seria libertado hoje. A notícia, que deveria ser motivo de pura celebração, trazia consigo um gosto amargo de apreensão.

Na tarde seguinte, a casa estava perfeitamente limpa e uma refeição especial havia sido preparado. Damian, depois de garantir que a papelada estava toda em ordem, saiu com Lizzy para buscarem o pai pessoalmente. Elaine andava de um lado para o outro, arrumando almofadas que já estavam perfeitas, a sua própria ansiedade espelhava a minha, embora por razões diferentes. Ela ansiava pelo reencontro com o senhor Winter. Eu temia.

O homem que voltaria para esta casa não me via como parte da família. Para William Winter, eu era a "vagabunda" que havia destruído o casamento de seu filho com Sophie. Meus filhos, eram "bastardos" que não tinham o sangue de sua preciosa nora. Suas palavras, ditas em momentos de fúria antes de toda essa provação, estavam gravadas a fogo na minha memória. Não duvido que ele nos expulse assim que seus olhos pousarem em nós.

— Elaine, talvez seja melhor os meninos ficarem no quarto quando o senhor Winter chegar. — sugeri olhando para Apollo e Orion que brincavam com Danian no tapete da sala.

— De forma alguma, Stella. Eles ficam. William precisa ver a família que ele tem. Ele passou por muita coisa, esteve isolado com seus pensamentos. Quando o visitei ele me disse que refletiu sobre seus atos.

Suas palavras eram cheias de uma esperança que eu não conseguia compartilhar. Mas eu assenti, incapaz de discutir. Era a casa dela, o marido dela. Reuni os meninos perto de mim no sofá, sentindo uma necessidade feroz de protegê-los.

— O vovô mau vai voltar, mamãe? — Apollo sussurrou, com seus olhos grandes e sérios focados em mim.

— Ele não é mau, querido. Ele só... estava muito zangado. — tentei explicar, sem saber se estava mentindo para ele ou para mim mesma.

O som do carro de Damian no cascalho foi como um tiro de largada. Meu corpo inteiro enrijeceu. Elaine correu para a porta, abrindo-a com um sorriso. Eu me levantei, puxando os gêmeos e até Danian, para ficarem atrás de mim, meu braço engessado criou uma barreira desajeitada, mas instintiva.

Damian e Lizzy entraram primeiro, seus olhares encontrando o meu imediatamente e então, atrás deles, William apareceu.

Ele parecia diferente. Mais magro, os cabelos mais grisalhos nas têmporas, o rosto marcado por um cansaço profundo que ia além da falta de sono.

Seu olhar passou por mim e pelos meninos como se fôssemos parte da mobília e se fixou em sua esposa. Elaine não esperou. Ela se moveu rapidamente, envolvendo-o em um abraço apertado e desesperado, enterrando o rosto em seu peito. Ele a segurou com a mesma força, os olhos fechados, como um homem que finalmente encontrava um porto seguro.

Quando finalmente se afastaram, Elaine enxugou as lágrimas e segurou a mão dele, virando-se para o resto de nós. Era agora. Eu me preparei para o olhar de desprezo, para a ordem irritada de que eu deveria sair.

— Perdoado, vovô. — a vozinha de Orion disse, abafada contra seu paletó.

Depois de um momento, ele os soltou e se levantou, caminhando até Danian. William o pegou no colo com gentileza e beijou o topo de sua cabeça.

Finalmente, ele se virou para todos nós.

— Eu cometi tantos erros... — disse ele, a voz embargada. — Meu orgulho, minha teimosia... quase destruíram esta família. Eu julguei você, Stella, da pior maneira possível, sem nunca ter lhe dado uma chance. Eu afastei meus próprios netos. Eu falhei com meu filho, e falhei com você, Elaine. Finalmente vejo o que estava me recusando a enxergar. O amor que meu filho sente por você, Stella. A família linda que vocês construíram. Eu estava cego pelo passado, pelo que eu achava que deveria ser, e não consegui ver o que estava bem na minha frente. Peço o perdão de todos vocês. E prometo, a partir de hoje, ser o marido, o pai e o avô que esta família merece.

Foi como se uma carga finalmente tivesse sido retirada dos ombros de todos.

Damian passou o braço pela minha cintura, me puxando para perto. Ele olhou para o pai segurando Danian, para a mãe sorrindo em meio às lágrimas, para os gêmeos que agora olhavam para o avô com curiosidade em vez de medo enquanto eram cumprimentados pela tia. E então, finalmente seu olhar voltou para mim.

— Bom... Agora que temos a bênção de todos, acho que já podemos começar a planejar nosso casamento.

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