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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 161

DAMIAN WINTER

A dor era como o chute de uma mula, sei disso porque levei o chute de uma na adolescência. Um impacto brutal que me roubou o fôlego e fez estrelas dançarem na minha visão. Caí de joelhos, o som do disparo reverberando em meus ouvidos, abafando os gritos dos policiais que invadiam a sala. Minha mão voou para o peito, um ato reflexo para conter uma ferida que, para a minha sorte do caralho, não estava lá. Meus dedos pressionaram o tecido da camisa, sentindo o colete por baixo e a deformidade dura e quente onde a bala havia se alojado.

"Obrigado, Elliot". O pensamento foi grato e aliviado. "Obrigado por ter insistido nessa merda".

Eu achei que ela não chegaria tão longe, mas psicopatas como ela não conheciam limites.

Enquanto a equipe tática dominava Célia, que oferecia uma resistência surpreendente para uma mulher de sua estatura, meus olhos permaneceram fixos nela. O sorriso satisfeito em seu rosto começou a vacilar quando ela me viu levantar a cabeça, sorri para ela com minha respiração voltando em lufadas doloridas. A compreensão de que eu estava vivo, que seu último ato de vingança havia falhado, transformou seu triunfo em uma fúria pura e descontrolada.

— Não! — O grito dela rasgou o ar, agudo e selvagem. — Você devia estar morto! MORTO!

Dois policiais a seguravam pelos braços, mas ela se debatia como um animal, o cabelo desgrenhado caindo sobre o rosto contorcido de ódio.

— Eu vou matar você, Damian Winter! — vociferou, sendo arrastada para fora. — Eu vou sair e vou te caçar! Você e aquela sua vagabunda! Ela vai ser a próxima! Eu juro pela alma da minha filha que vou acabar com vocês!

As ameaças continuaram ecoando pelo corredor enquanto a levavam, uma ladainha de ódio que se misturava ao som da chuva lá fora. O silêncio que se seguiu foi quebrado rapidamente pela movimentação dos policiais e pela voz de Elliot, que agora estava ajoelhado ao meu lado.

— Damian? Você está bem? Fala comigo.

— Estou bem. — consegui dizer, com minha voz rouca. Cada respiração era um esforço, o local do impacto no meu peito parecia uma brasa viva. — Ela... ela confessou tudo. Vocês pegaram?

— Pegamos tudo. — Elliot confirmou, passando a mão pelo meu ombro. — A confissão, o plano contra o marido, a ameaça de morte, o disparo... Temos o suficiente para enterrá-la por três vidas. Mas agora precisamos cuidar de você. Mesmo com colete, o impacto pode causar lesões internas. Vamos para o hospital.

Forcei-me a ficar de pé, usando o sofá como apoio. Uma tontura me atingiu, mas a ignorei. A adrenalina ainda corria solta, disfarçando a dor.

— Não. Sem hospital. — falei, com a determinação sobrepujando o mal-estar. — Eu estou bem. Tudo o que eu quero agora é ir para casa, Elliot. Para a Stella.

Ele me olhou, com preocupação e compreensão em seu rosto. Sabia que não adiantaria discutir.

— Tudo bem. Mas primeiro, vamos tirar essas coisas de você e pegar seu depoimento formal.

Concordei com a cabeça. Dois policiais me ajudaram a ir para a van, onde, com cuidado, removeram meu paletó e minha camisa. A visão do colete era chocante. Um buraco escuro marcava o ponto de impacto, a fibra balística estava deformada e afundada. Quando o tiraram, a dor se intensificou, e eu pude ver a mancha roxa e vermelha que já se formava na minha pele. Parecia que eu tinha sido marcado a ferro. Em seguida, removeram o pequeno transmissor, o aparelho que garantira nossa vitória.

O trajeto até a delegacia foi um borrão. Sentei-me no banco de trás pensando em Célia. O plano dela era insano, mas poderia ter funcionada. Se não fosse pela escuta, pela equipe de prontidão...

Chegamos rapidamente na delegacia. Fui levado a uma sala que estava começando a se tornar familiar para prestar meu depoimento oficial. Contei tudo, desde o momento em que cheguei à mansão até o disparo, enquanto um escrivão digitava furiosamente. O delegado entrou na metade do processo, o rosto sério, mas com um brilho de satisfação nos olhos.

Vi a tensão em seus ombros diminuir. Um suspiro lento escapou de seus lábios.

— Ela confessou?

— Tudo. — confirmei, com um sorriso finalmente rompendo minha fachada exausta. — Ela confessou o assassinato de Nathan, o plano para me incriminar... Ela até tentou atirar em mim quando a polícia chegou.

Os olhos dele se arregalaram e a preocupação tomou conta.

— Você está bem?

— Estou. Estava usando um colete. Ideia do Elliot. — tranquilizei-o rapidamente. — O que importa é que acabou. Os advogados já estão resolvendo sua situação. Você vai sair daqui, pai. Em breve, você vai estar em casa.

Vi meu pai sorrir. Não foi um sorriso largo, mas um curvar de lábios genuíno, que alcançou seus olhos cansados. Ele ergueu a mão e a pressionou contra o vidro. Levei a minha ao encontro da dele.

— Eu nunca duvidei de você, filho. — disse ele, cheio de um orgulho que valia mais do que qualquer vitória. — Eu sabia que você conseguiria.

Não precisávamos de mais palavras. O tormento havia terminado. A justiça seria feita. E nossa família, finalmente, estaria inteira novamente.

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