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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 158

DAMIAN WINTER

O tempo passou devagar, arrastando-se lentamente apesar da minha pressa em fazê-lo. Stella percebeu, claro. Mesmo que eu tentasse disfarçar, ela notava que essa espera me corroía por dentro e fez o melhor que pôde para me distrair.

Na manhã do segundo dia, ela acordou pouco depois de mim. Vi quando saiu da cama e se sentou ao meu lado, deitando em seguida com o rosto parcialmente iluminado pela luz suave do amanhecer. Ficamos assim por um tempo, sem dizer nada, só respirando o mesmo ar.

— Vai ser hoje, não é? — perguntou enfim.

Abri os olhos e a encarei. Não adiantava mentir.

— Sim.

Ela assentiu, os dedos tocando de leve o meu braço.

— Promete que vai ficar tudo bem?

— Prometo, meu amor. Nosso tormento acaba hoje.

Ela sorriu e se inclinou para me beijar. Correspondi na mesma lentidão. Quando me afastei, apoiei a mão em sua nuca e encostei a testa na dela.

— Não se preocupa. — pedi. — Só confie em mim.

— Sempre. — respondeu, com total segurança.

Ficamos ali por mais alguns minutos antes que eu me levantasse. Tomei banho, vesti uma camisa social preta, ajustei a gravata, o relógio e por fim vesti o paletó. Olhei no espelho, encarando minha imagem.

Quando desci, minha mãe estava na cozinha, tomando café puro. Ela tentou disfarçar o nervosismo com um sorriso quando me viu.

— Vai encontrá-la? — perguntou, sem rodeios.

Assenti, sentando-me à mesa.

— É a única forma de conseguir que ele saia de lá.

Ela respirou fundo, apoiando as mãos no balcão.

— Só tenha cuidado, filho. Aquela mulher… Ela não tem nada a perder.

Levantei-me, a abracei e ela retribuiu de imediato.

— Eu sei o que estou fazendo, mãe. — murmurei. — E, se der certo, ele volta pra casa em breve.

Ela se afastou, com os olhos marejados.

— Obrigada, filho. Que Deus te proteja.

Dei outro abraço nela e me despedi de Stella na porta com outro beijo.

Saí de casa pouco depois das oito. O céu estava cinzento, como se estivesse prestes a chover.

O trajeto até o ponto de encontro com Elliot, o delegado e os policiais levou menos de quarenta minutos. Eles já estavam lá, em uma sala discreta de um prédio anexo à delegacia. O cômodo era pequeno, com paredes cobertas por painéis de monitoramento e fios espalhados.

Elliot veio ao meu encontro assim que entrei.

— Está pronto? — perguntou.

— Sem dúvidas. — respondi, entregando-lhe a pasta com os documentos extras que eu havia revisado na noite anterior.

— Obrigado. — falei, abrindo a porta do carro.

Antes de entrar, olhei para trás vendo os policias também ocuparem sua van e me seguirem.

Dirigi sem pressa, até que avistei o portão alto da mansão Pósitron, reduzi a velocidade e parei aguardando permissão.

Um dos seguranças que estavam posicionados, se aproximou do veículo e assim que viu meu rosto não precisou fazer nenhuma pergunta, nem hesitou em contatar alguém pelo rádio.

A espera durou pouco mais de dois minutos. Então, o portão começou a se abrir lentamente, revelando a entrada luxuosa da propriedade. A arquitetura de linhas retas e paredes de vidro, combinava perfeitamente com a mulher que morava ali: vaidosa, e absolutamente convencida de sua própria superioridade.

Estacionei diante da escadaria e desliguei o motor.

Abri a porta do meu carro e desci, caminhando em passos lentos e firmes. O som do vento misturava-se ao farfalhar das folhas e ao eco distante de um trovão. Quando alcancei o topo da escada, uma das portas se abriu.

Célia Pósitron veio me receber pessoalmente com um sorriso que não chegava aos olhos.

O cabelo perfeitamente penteado, com algumas joias discretas lhe adornando. Ela me analisou por um instante, evidentemente surpresa com minha visita repentina.

— Damian Winter… — disse, inclinando ligeiramente a cabeça como um cumprimento. — Que visita inesperada.

Inclinei o rosto da mesma forma, mantendo o olhar firme no dela.

— Célia. Precisamos conversar.

Ela arqueou uma sobrancelha, dando um passo para o lado, abrindo espaço.

— Claro. — respondeu, indicando que eu passasse por ela. — Entre. Estou curiosa para saber o que o traz até mim depois de tudo o que fez.

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