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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 157

DAMIAN WINTER

Peguei o carro e dirigi até o escritório de Elliot. Durante todo o trajeto, minha cabeça repassava as informações e as medidas que poderia ou teria que tomar.

Eu não podia errar.

Quando cheguei, Elliot já me esperava. Estava encostado à mesa, com a camisa social arregaçada até os cotovelos, a gravata pendendo frouxa e uma pilha de documentos espalhada ao redor.

— Está parecendo que passou a noite acordado — comentei, fechando a porta atrás de mim.

Ele me lançou um olhar cansado, mas determinado.

— Mais ou menos isso. — Apontou para o monte de papéis. — Consegui cruzar os dados das movimentações suspeitas. Todas as transferências foram mascaradas com contas fantasmas criadas no mesmo dia do assassinato de Nathan. A assinatura digital é do Maycon Bartol, mas também temos provas das transações entre ele e Célia Pósitron.

Parei diante da mesa, observando as páginas. Números, códigos bancários, carimbos de autenticação. Tudo ali, à mostra.

— Isso é o suficiente para a polícia começar a ouvir. — afirmei.

Elliot assentiu.

— É. O delegado já está esperando a gente. Consegui marcar pra uma hora da tarde.

Peguei o dossiê e o verifiquei.

— Então, vamos terminar isso o quanto antes.

[...]

A delegacia era um prédio antigo, com paredes descascadas. Fomos recebidos por uma secretária que nos conduziu até a sala do delegado. Ele nos esperava e seu olhar pousou em nós assim que cruzamos a porta.

— Senhores Winter e Elliot, certo? — perguntou, ajustando os óculos no rosto.

— Isso. — respondi. — Temos informações que podem mudar o rumo do caso do meu pai.

Ele assentiu brevemente e gesticulou para que sentássemos.

— Estou ciente da situação. — Disse, folheando os papéis que Elliot havia entregue antes. — Então é verdade que as transferências saíram da conta da empresa para o assassino de Nathan?

— É. — respondi. — E a responsável direta é Célia Pósitron. Ela usou o vice-diretor, Maycon Bartol, para disfarçar as transações.

O delegado leu o dossiê em silêncio por alguns segundos. Depois pousou o olhar em mim.

— Não vou perguntar por que seu pai confessou um crime que não cometeu. Isso é algo que ele vai ter que explicar a um juiz. Mas o que vocês trouxeram é sólido.

Isso já era esperado, não vamos fugir da responsabilidade.

— E o senhor vai reabrir o caso?

Ele inclinou-se para a frente.

— Vou dar a você uma chance, Winter. — disse, com um tom que misturava desafio e prudência. — Se conseguir uma confissão dela, a gente reabre oficialmente. Vamos seguir o plano que Elliot contou sobre conseguir a confissão com escutas.

Elliot interveio:

— É, vou te fé em você então.

— Ainda assim, vou até ela. Pessoalmente. Não vou dar a chance de se preparar para me encontrar ou se perguntar o que estou indo fazer lá.

Elliot suspirou, resignado.

— Então que seja. Vamos apenas garantir que o equipamento esteja perfeito.

Assenti.

— Obrigado pela ajuda.

Nos despedimos em frente ao carro dele. Ele me deu um tapinha no ombro antes de entrar.

— Dois dias, Damian. — repetiu. — A operação começa em dois dias.

Assenti outra vez, observando enquanto o carro dele se afastava.

No caminho de volta, a cidade parecia desfocada. As luzes dos semáforos piscavam como vultos no para-brisa. O trânsito, as buzinas, as pessoas atravessando apressadas… tudo parecia distante.

O rádio do carro estava desligado. Só o som do motor preenchia o silêncio.

Quando cheguei em casa eram por volta das três. Respirei fundo, deixando no carro todo meu mla humor e apreensões. Sei que tudo vai dar certo, mesmo se não der, sei que posso seguir por outro caminho. Agora tudo que preciso fazer é relaxar e mostrar minha melhor versão para as pessoas que eu amo.

Dois dias. Em dois dias, acredito que tudo que me pergunto será respondido.

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