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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 147

DAMIAN WINTER

Entrar no banheiro foi como mergulhar em um tanque de água gelada depois de ter o corpo incendiado.

Lavei as mãos, mas o reflexo no espelho me fez bufar. O corte no lábio estava visível. O rosto avermelhado. E, se olhasse de perto, dava pra ver a marca de um soco perto do maxilar.

Pensei em ficar mais alguns minutos ali, me recompondo, mas eu não podia deixá-los sozinhos por muito tempo. Nathan podia estar por perto ainda, e só a ideia me fez apertar o punho de novo.

Quando abri a porta do quarto, vi Stella sentada na poltrona ao lado do leito, com uma manta sobre as pernas. Danian dormia, com a mãozinha ainda segurando firme a dela. Apollo e Orion estavam quietos no canto, folheando um livrinho que minha mãe tinha trazido para Danian mais cedo.

Minha mãe e meu pai.

Eles ainda estavam ali.

E o olhar de WW me atravessou assim que entrei.

Ele ajeitou o paletó rapidamente e se dirigiu até a porta.

— Elaine — disse, sem tirar os olhos de mim. — Vamos.

Minha mãe se virou, confusa.

— Agora? Mas...

— Agora.

O tom dele não deixava espaço para discussão. Ela piscou algumas vezes, claramente sem entender o motivo da pressa, mas assentiu.

— Claro, querido.

Ela se aproximou de Stella, para se despedir e tentou disfarçar o desconforto.

— Foi bom ver vocês, querida — murmurou, passando a mão no ombro dela. — Espero que você continue melhorando.

— Obrigada, dona Elaine. — respondeu Stella, educadamente. — Foi bom ver vocês também. — Duvido muito que ela achava bom ver meu pai.

Meu pai não disse nada. Apenas passou pela cama, lançou um último olhar para Danian e saiu, batendo a porta atrás de si com força suficiente para fazer o vidro vibrar.

Minha mãe se apressou logo atrás, olhando para trás uma última vez com expressão culpada.

O silêncio que ficou depois foi desconfortável.

Eu fiquei parado por alguns segundos, tentando respirar fundo, tentando esconder a dor latejante no maxilar e o sangue que ainda sentia coagulado perto do lábio.

Stella percebeu na hora.

Ela esperou alguns segundos, o suficiente para se certificar de que os meninos estavam distraídos e depois se levantou devagar, vindo até mim.

— Damian... — sussurrou, aproximando-se com aquele olhar que lia tudo. — O que aconteceu?

— Nada, amor.— respondi rápido.

Ela ergueu o rosto, e os olhos dela desceram imediatamente para o machucado no meu lábio.

— Você brigou com seu pai?

Ela respirou fundo e foi até os meninos, chamando-os com doçura. Apollo foi o primeiro a perceber que algo não estava certo, olhou para mim antes de segurar a mão da mãe.

— Papai, você tá bravo? — perguntou baixinho.

— Não, filho. — Ajoelhei para ficar na altura dele, passando a mão pelo cabelo dele. — Só cansado.

Orion o imitou, me abraçando pelo pescoço, e eu o segurei com força.

— Vai com a mamãe, tá bem? — pedi, tentando soar tranquilo. — Eu fico aqui com o Danian.

Eles assentiram e seguiram Stella até a porta, acompanhados por um guarda que ajudaria a levá-los até a saída.

Assim que a porta se fechou, o quarto mergulhou no silêncio novamente.

Danian continuava dormindo, o rosto tranquilo, alheio a toda a bagunça que girava ao redor dele.

Eu me aproximei devagar, sentei na cadeira ao lado e passei os dedos com cuidado pelo cabelo do meu filho. Meu peito doía. Não apenas pelo soco que tinha levado, mas pela ideia absurda e nojenta que Nathan tinha posto no ar.

Ele é meu filho.

O meu filho.

Não havia dúvida.

Não importava o que ele dissesse, o que alegasse, o que tentasse provar.

Aquele menino dormindo na cama era meu, minha vida.

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