DAMIAN WINTER
Entrar no banheiro foi como mergulhar em um tanque de água gelada depois de ter o corpo incendiado.
Lavei as mãos, mas o reflexo no espelho me fez bufar. O corte no lábio estava visível. O rosto avermelhado. E, se olhasse de perto, dava pra ver a marca de um soco perto do maxilar.
Pensei em ficar mais alguns minutos ali, me recompondo, mas eu não podia deixá-los sozinhos por muito tempo. Nathan podia estar por perto ainda, e só a ideia me fez apertar o punho de novo.
Quando abri a porta do quarto, vi Stella sentada na poltrona ao lado do leito, com uma manta sobre as pernas. Danian dormia, com a mãozinha ainda segurando firme a dela. Apollo e Orion estavam quietos no canto, folheando um livrinho que minha mãe tinha trazido para Danian mais cedo.
Minha mãe e meu pai.
Eles ainda estavam ali.
E o olhar de WW me atravessou assim que entrei.
Ele ajeitou o paletó rapidamente e se dirigiu até a porta.
— Elaine — disse, sem tirar os olhos de mim. — Vamos.
Minha mãe se virou, confusa.
— Agora? Mas...
— Agora.
O tom dele não deixava espaço para discussão. Ela piscou algumas vezes, claramente sem entender o motivo da pressa, mas assentiu.
— Claro, querido.
Ela se aproximou de Stella, para se despedir e tentou disfarçar o desconforto.
— Foi bom ver vocês, querida — murmurou, passando a mão no ombro dela. — Espero que você continue melhorando.
— Obrigada, dona Elaine. — respondeu Stella, educadamente. — Foi bom ver vocês também. — Duvido muito que ela achava bom ver meu pai.
Meu pai não disse nada. Apenas passou pela cama, lançou um último olhar para Danian e saiu, batendo a porta atrás de si com força suficiente para fazer o vidro vibrar.
Minha mãe se apressou logo atrás, olhando para trás uma última vez com expressão culpada.
O silêncio que ficou depois foi desconfortável.
Eu fiquei parado por alguns segundos, tentando respirar fundo, tentando esconder a dor latejante no maxilar e o sangue que ainda sentia coagulado perto do lábio.
Stella percebeu na hora.
Ela esperou alguns segundos, o suficiente para se certificar de que os meninos estavam distraídos e depois se levantou devagar, vindo até mim.
— Damian... — sussurrou, aproximando-se com aquele olhar que lia tudo. — O que aconteceu?
— Nada, amor.— respondi rápido.
Ela ergueu o rosto, e os olhos dela desceram imediatamente para o machucado no meu lábio.
— Você brigou com seu pai?
Ela respirou fundo e foi até os meninos, chamando-os com doçura. Apollo foi o primeiro a perceber que algo não estava certo, olhou para mim antes de segurar a mão da mãe.
— Papai, você tá bravo? — perguntou baixinho.
— Não, filho. — Ajoelhei para ficar na altura dele, passando a mão pelo cabelo dele. — Só cansado.
Orion o imitou, me abraçando pelo pescoço, e eu o segurei com força.
— Vai com a mamãe, tá bem? — pedi, tentando soar tranquilo. — Eu fico aqui com o Danian.
Eles assentiram e seguiram Stella até a porta, acompanhados por um guarda que ajudaria a levá-los até a saída.
Assim que a porta se fechou, o quarto mergulhou no silêncio novamente.
Danian continuava dormindo, o rosto tranquilo, alheio a toda a bagunça que girava ao redor dele.
Eu me aproximei devagar, sentei na cadeira ao lado e passei os dedos com cuidado pelo cabelo do meu filho. Meu peito doía. Não apenas pelo soco que tinha levado, mas pela ideia absurda e nojenta que Nathan tinha posto no ar.
Ele é meu filho.
O meu filho.
Não havia dúvida.
Não importava o que ele dissesse, o que alegasse, o que tentasse provar.
Aquele menino dormindo na cama era meu, minha vida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!