STELLA HARPER
A casa parecia ainda mais alegre naquela noite. Talvez fosse apenas a minha imaginação, mas depois de tudo o que Damian havia enfrentado e passado por causa de Sophie, eu senti que precisávamos de um respiro. Ele carregava muitos fardos nos ombros e, se eu não fizesse nada, continuaria remoendo cada palavra, cada comentário e cada especulação da imprensa em seu celular.
Por isso, quando os meninos perguntaram se podiam ficar acordados até mais tarde, eu lancei a ideia:
— Que tal uma noite de jogos? — sugeri, fingindo naturalidade. — Nada de telas, só tabuleiro, risadas e… quem sabe até algumas guloseimas.
Os olhos dos gêmeos se iluminaram na mesma hora.
— Eu topo! — gritou Apollo.
— Eu também! — completou Orion, quase em cima da fala do irmão.
Danian, que já estava grudado no colo do pai, levantou a mão como se fosse numa votação de escola.
— Eu voto sim!
Damian arqueou a sobrancelha, me olhando com aquela expressão de quem não estava completamente convencido.
— Uma noite de jogos? — repetiu, como se fosse a proposta mais absurda do mundo.
— É, Damian. — cruzei os braços, segurando o sorriso. — Ou você tem algo melhor para fazer do que passar um tempo de qualidade com a sua família?
Ele soltou um suspiro resignado.
— Vocês três estão conspirando contra mim.
— Quatro. — corrigi, apontando para mim mesma. — E estamos.
O riso dos meninos encheu a sala, e assim começamos nossa “noite especial”.
Espalhamos almofadas pelo chão da sala, a mesa de centro foi empurrada para o canto e cada um escolheu um assento estratégico. Optamos pelo conhecido e clássico: Banco Imobiliário. Apollo e Orion se uniram contra mim e Damian, enquanto Danian quis jogar sozinho, “porque já era grande o bastante”.
— Grande o bastante pra perder, você quis dizer. — Damian provocou, embaralhando as notas de dinheiro.
— Não vou perder! — Danian retrucou, indignado.
As primeiras rodadas foram uma confusão. Os gêmeos gritavam toda vez que compravam uma propriedade, Danian ficava irritado quando caía em terrenos alheios e Damian, mesmo tentando parecer indiferente, jogava com uma estratégia calculada demais para ser apenas brincadeira.
— Você está levando isso a sério demais. — reclamei, quando ele me fez pagar aluguel pela terceira vez seguida.
Ele me lançou aquele meio sorriso perigoso.
— Você não me conhece, Harper? Eu levo tudo a sério.
— Inclusive perder pra mim. — desafiei.
Os meninos fizeram “oooooh” como se estivéssemos num ringue.
Mas, claro, eu não tive chance. Pouco depois, fiquei sem dinheiro, sem propriedades e sem dignidade.
— E Stella está oficialmente eliminada! — Apollo anunciou, batendo palmas.
— Não vale! — protestei, fazendo meu drama. — Eu fui sabotada!
Damian se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
— Talvez você não tenha talento pra negócios… mas eu posso te dar umas aulas particulares.
Levei um tapinha no braço engessado e empurrei ele de volta, rindo.
— Arrogante.
— Com toda razão. — retrucou.
Aceitei minha derrota com elegância e fui me sentar no sofá, assistindo-os continuar a partida. A cena diante de mim era reconfortante: Damian relaxado de verdade, os gêmeos vibrando juntos, e Danian aprendendo a rir das próprias derrotas. Por alguns minutos, parecia que nada mais importava.
Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo, forçando meu corpo a não tremer. Abri de novo, encontrando os olhinhos atentos de Orion, que sorria para mim com orgulho porque tinha acabado de ganhar uma propriedade no jogo.
Sorri de volta.
— Que bom. — murmurei na linha, com frieza. — Se é só isso, eu tenho mais o que fazer.
— Escuta aqui, sua...
E desliguei.
Por dentro, estava assustada. Mas ninguém podia perceber.
Coloquei o celular de volta no sofá e bati palmas chamando a atenção deles.
— E aí, quem está ganhando?
— Eu! — Apollo e Orion gritaram juntos.
— Não, eu! — Danian retrucou, indignado.
Damian se virou para mim, desconfiado.
— Quem era?
Dei de ombros, sorrindo com naturalidade.
— Ligação errada. — respondi, com a voz firme, antes de me inclinar para pegar outro brigadeiro. — Agora, vamos ver quem sai vitorioso dessa competição tão séria.
Sophie não iria parar. E eu precisaria ser mais forte do que nunca para proteger não apenas a mim mesma, mas os meninos também.
Mas, por enquanto, eu sorri. Porque aquela era a única arma que eu tinha para não deixá-la vencer e atingir o objetivo de me afetar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!