DAMIAN WINTER
Sophie ergueu o microfone com uma segurança que eu sabia ser falsa, mas que soava convincente para quem não a conhecia de perto.
— Não se enganem com essa encenação. — disse ela, sorrindo como se estivesse acima de tudo. Me amaldiçoei por dar essa coletiva de dia, se fosse a noite ela estaria presa e não poderia vir causar problemas. — O homem que vocês acabaram de ouvir não é um pai dedicado, tampouco um marido traído. Damian é um manipulador frio que sempre usou todos ao seu redor para conseguir o que queria.
As câmeras dispararam outra vez. A imprensa estava em êxtase com a cena do ex-casal, lado a lado, prestes a se atacar em público.
Eu a encarei sem pressa, apenas aguardando. Sabia que, quanto mais ela falasse, mais armadilhas cavava para si mesma.
— Ele fala em amor, fala em filhos, mas não se enganem. — continuou. — O casamento só acabou porque ele sempre teve uma outra mulher à espreita. Essa tal de Stella Harper não apareceu agora… ela já estava na vida dele quando ainda estávamos juntos.
Alguns jornalistas começaram a murmurar, levantando os olhos para mim em busca de reação. Mantive-me imóvel e não esboçei nenhuma reação.
— Então você confirma que Damian a traiu? — perguntou uma repórter, erguendo a voz.
— Exatamente! — Sophie exclamou. — Ele acha que pode me pintar como a infiel, mas a verdade é que nunca fui eu quem traiu.
Um jornalista mais ousado ergueu o microfone em direção a ela:
— Mas, senhora Pósitron, e as fotos que circularam ontem? Elas mostram claramente a senhora em situação íntima com outro homem. Como explica isso?
O sorriso dela vacilou por um segundo. Eu vi. Só não sei se as câmeras viram também.
— Essas fotos… — ela pigarreou, tentando recuperar a confiança. — Essas fotos foram manipuladas. São fruto de uma armação do próprio Damian. Ele sempre teve os contatos certos para fabricar escândalos e sabe exatamente como manchar uma imagem.
Era o que eu esperava que ela dissesse. Me inclinei um pouco para frente, tomando a palavra antes que alguém perguntasse mais:
— É curioso ouvir você dizer isso, Sophie. Porque essas fotos não vieram de mim. Foram vendidas para os tabloides por um fotógrafo que trabalha para várias agências, inclusive algumas das quais você mesma já contratou. Você quer que eu peça para ele vir aqui confirmar? — sorri com ironia. Eu estava blefando, mas ninguém ali tinha como saber disso, exceto nós dois. — Ele ficaria feliz em testemunhar.
Houve um burburinho imediato. Sophie ficou rígida, seus olhos faiscando de raiva.
— Você sempre sabe inverter tudo, não é? — sussurrou entre dentes, mas o microfone captou.
— Eu não inverto, Sophie. Eu só mostro o que você tenta esconder. — respondi, alto o bastante para todos ouvirem. — A diferença é que eu tenho provas.
Os jornalistas se agitaram, alguns disparando perguntas ao mesmo tempo:
— O senhor pode apresentar essas provas?
— Sophie, a senhora confirma ou nega o relacionamento com Nathan?
— Há quanto tempo dura esse suposto caso?
Sophie levantou as mãos, tentando controlar a situação.
— Vocês não percebem? É exatamente isso que ele quer! Transformar tudo em um circo, jogar vocês contra mim! Eu sempre fui a verdadeira vítima aqui.
Eu soltei uma risada curta, seca.
— Vítima? Você quase matou a mãe dos meus filhos, Sophie. — As palavras simplesmente saíram. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Nem mesmo os flashes das câmeras se ouviram por alguns segundos. — Não vou entrar em detalhes da investigação em curso, mas você sabe muito bem do que estou falando.
Ela empalideceu, seus lábios tremendo por um instante.
Eu não consegui conter o riso de alívio. Caminhei até ela, segurando seu rosto com cuidado, lembrando-me da delicadeza que seu estado exigia.
— Deu tudo certo, meu amor. — murmurei, cobrindo seu rosto com uma sequência de beijos — na testa, nas bochechas, no nariz. — Ela se contradisse diante de todos. Não resta dúvida de quem estava mentindo.
Stella suspirou, relaxando contra mim.
— Eu estava tão nervosa… — confessou. — Achei que ela conseguiria virar tudo contra você.
— Ninguém pode virar nada contra mim quando eu tenho você do meu lado. — garanti, acariciando sua pele com a ponta dos dedos.
Ela sorriu, emocionada.
— Você parecia tão calmo lá fora. Eu ouvi parte pela televisão daqui… parecia até que já sabia tudo que ela ia dizer.
— Porque eu sabia. — respondi com um sorriso satisfeito. — Sophie está se tornando cada vez mais previsível.
Inclinei-me mais uma vez, beijando-a suavemente nos lábios. Cuidado, sempre lembrando do braço engessado, mas ainda assim deixando que a intensidade do momento falasse por si.
— Eu te amo, Stella. — murmurei contra sua boca. — E vou te proteger de tudo, sempre.
Ela fechou os olhos, deixando uma lágrima escapar.
— Eu também te amo, Damian.
Abracei-a com delicadeza, mas firme o bastante para que ela sentisse que nada, absolutamente nada, poderia nos separar de novo.

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