A chuva caía pesada, e a água na rua fluía ruidosamente, misturada com folhas e lixo trazidos de sabe-se lá onde.
Ele observava as condições da via com atenção, avançando com dificuldade, afundando os pés a cada passo.
A cena parecia uma verdadeira luta, com inúmeros perigos e obstáculos pelo caminho.
Viviane Adrie estava sentada no carro, presa no trânsito há mais de uma hora.
Os guarda-costas comentaram que, de tempos em tempos, motoristas impacientes e assustados abandonavam seus veículos e seguiam a pé.
Os carros deixados na via tornavam o fluxo ainda mais difícil. Alguns veículos, com os motores inundados e incapazes de ligar, precisavam ser empurrados à força para liberar espaço.
Como não era possível avançar, a única opção era esperar que o caminho atrás fosse liberado para que as equipes de resgate orientassem os motoristas a dar marcha à ré lentamente.
Viviane Adrie pensou em ligar para Orlando Rocha para saber onde ele estava, mas temeu que a ligação o deixasse ainda mais preocupado e ansioso.
Naquela situação, era impossível dirigir rápido. Se ele ficasse aflito e tentasse acelerar, um acidente tornaria tudo muito pior.
Por isso, após ponderar, decidiu não ligar.
Temendo que ela ficasse nervosa, um dos guarda-costas virou-se para tranquilizá-la:
— Senhora, não se preocupe. Se o Advogado Rocha não conseguir chegar, nós a escoltaremos até aquele shopping logo ali para nos abrigarmos temporariamente.
Viviane Adrie sorriu de leve:
— Tudo bem, eu não estou com pressa.
Mal ela havia terminado de falar, o guarda-costas no banco do passageiro exclamou surpreso:
— Aquele não é o Advogado Rocha? Ele está pulando a grade de proteção ali na frente.
Viviane Adrie sobressaltou-se e virou o rosto na direção indicada.
A água embaçava os vidros e o céu já estava completamente escuro. Mesmo com a iluminação pública, a visibilidade não passava de uns cinco ou seis metros.
Mas esses poucos metros foram suficientes para que ela distinguisse claramente a silhueta que saltava o obstáculo.
Era Orlando Rocha!
Não se sabia de onde ele tinha vindo. Apesar de vestir uma capa de chuva, estava encharcado, evidenciando que já caminhava sob a tempestade há um bom tempo.
O coração dela acelerou de repente.
Ele entregou a ela a capa de chuva que trazia consigo:
— Vista isso. Eu vou carregar você lá para fora daqui a pouco. O carro está parado mais à frente.
— Está bem.
Viviane Adrie pegou a capa e a vestiu.
Enquanto esperava, Orlando Rocha inclinou-se para falar com os dois seguranças na frente:
— E vocês dois? Vão continuar esperando ou preferem vir conosco agora?
Um deles olhou para trás e respondeu:
— Advogado Rocha, leve a senhora e vão na frente. Nós somos dois homens adultos, ficaremos bem.
O outro guarda-costas completou:
— É verdade. Se sairmos, este carro com certeza vai acabar debaixo d'água esta noite. Se esperarmos no máximo mais meia hora, a via deve ser liberada e nós saímos com ele.
— Certo, avaliem a situação. Se não conseguirem sair com o carro, deixem-no aqui. O importante é que vocês fiquem em segurança. Liguem-me quando estiverem fora de perigo.

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