Essas mesmas ideias também passaram pela mente de Viviane Adrie.
Aquela não era a hora de se bancar de corajosa. Mesmo que não pensasse na própria segurança, precisava zelar pelo bem-estar do bebê que carregava em seu ventre.
Enquanto aguardava, Viviane Adrie passava o tempo navegando pelo Whatsapp.
No grupo de trabalho, deparou-se com uma enxurrada de queixas e desabafos dos colegas.
Alguns contavam que tiveram que tirar os sapatos e caminhar em meio à água para voltar para casa, ficando completamente encharcados.
Outros relataram que seus carros haviam pifado, impossibilitados de dar a partida, enquanto flutuavam na água da chuva à espera de socorro.
E havia ainda os que, ao chegar em casa, depararam-se com a falta de energia, sem sequer ter como preparar o jantar.
Sabrina Barros também lhe telefonou.
— Viviane, você já chegou em casa? Essa chuva é um evento de uma vez a cada cinquenta anos, parece que o céu se abriu de vez! Os guarda-chuvas são totalmente inúteis! — exclamou a amiga.
Sabrina Barros estava de plantão no hospital naquele dia e, ao acompanhar a avassaladora cobertura da mídia sobre as enchentes, lembrou-se de que a amiga estaria saindo do trabalho, e ligou prontamente para saber se ela estava em segurança.
— Estamos presos no trânsito. A via está bloqueada no momento, então acho que teremos que esperar a polícia de trânsito liberar o caminho — explicou Viviane Adrie, com a voz relativamente calma, enquanto se apoiava no banco do carro e ouvia as gotas da chuva martelando contra o teto do veículo.
— Você não entrou no túnel, não é? Vi na internet que o túnel está inundado. Postaram fotos de vários motoristas escalando para fora e sentados no teto dos carros, esperando resgate.
— Não, estamos fora do túnel. Mas a via por aqui também já está com acúmulo de água.
— E o que você vai fazer? A chuva está muito pesada, você está grávida e não pode simplesmente sair do carro para caminhar.
— Fique tranquila, o Orlando Rocha disse que dará um jeito de vir me buscar e me pediu para aguardar no carro. E não se preocupe, tenho os dois guarda-costas comigo, não estou sozinha.
Pensar que contava com a proteção dos guarda-costas e que Orlando Rocha já estava se esforçando para chegar até ela, aliviava imensamente a tensão que tomava conta de seu coração.
Antes mesmo de terminar a conversa com Sabrina Barros, o telefone emitiu um aviso de nova chamada.
Viviane Adrie não compreendeu o motivo pelo qual ele precisara trocar de veículo.
Só no dia seguinte, quando os dois subitamente ganharam o status de celebridades na internet, é que ela veio a descobrir o quão épica e heroica fora a operação de resgate promovida pelo marido na noite anterior.
Na realidade, Orlando Rocha pegou emprestada uma Mercedes Classe G com um amigo e, ao longo do percurso, optou por um desvio para conseguir chegar até as coordenadas de Viviane Adrie.
Os alagamentos brutais paralisaram a malha viária, mas a Classe G possuía um chassi robusto e elevado, um desempenho superior, que lhe conferia total adaptação àquelas condições calamitosas.
Contando com a ajuda do GPS e serpenteando com cautela por inúmeras ruas em um trajeto tortuoso de quarenta minutos, Orlando Rocha por fim aproximou-se do perímetro onde Viviane Adrie encontrava-se isolada.
Era humanamente impossível continuar conduzindo, devido à via estar irremediavelmente intransitável, enquanto as equipes de trânsito e resgate engajavam-se em manobras intensas na tentativa de desobstruir a estrada.
Orlando Rocha acomodou o carro onde pôde, enfiou uma capa de chuva, empunhou um volumoso guarda-chuva preto e, munido de uma capa de chuva ainda envolta na embalagem original, empurrou a porta do carro e pisou para o lado de fora.
O homem planejava cruzar as oito pistas nos dois sentidos da avenida a pé, somente para resgatar Viviane Adrie.

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