Após desligar o telefone, Orlando Rocha foi até o consultório médico e explicou ao Direitor Tavares que eles precisavam deixar o hospital.
Ao ouvir o motivo, o Direitor Tavares compreendeu perfeitamente a situação.
— Direitor Tavares, seria possível escalar um médico para nos acompanhar? Nós cobriremos todas as despesas da viagem de ida e volta e pagaremos uma gratificação de vinte mil reais por esse favor pessoal.
A Família Rocha tinha médicos de família, mas eles eram clínicos gerais e não especialistas na condição de Daniel.
Naquele momento, ele precisava de um especialista.
O Direitor Tavares olhou para os colegas no consultório e repassou diretamente o pedido de Orlando Rocha, perguntando quem estaria disposto a fazer a viagem.
Dois médicos se levantaram na mesma hora.
Porém, após uma breve discussão e avaliação detalhada da situação, escolheram um médico por volta dos trinta anos.
— Sendo assim, peço ao Doutor Lima que vá imediatamente para casa preparar as malas. Nos encontramos direto na estação de trem.
— Certo, Advogado Rocha. — Respondeu o Doutor Lima.
Orlando Rocha voltou para o quarto. Daniel já estava vestido e esperando.
— Tudo arranjado? — Viviane Adrie olhou para ele.
— Sim, tudo resolvido. Já contratei o médico e nós nos encontraremos diretamente na estação. — O olhar de Orlando Rocha era amável e tranquilizador.
O garotinho olhava para os pais, os grandes olhos escuros cheios de confusão:
— Mamãe, eu vou ter alta?
O rosto de Viviane Adrie parecia tranquilo, mas, em seu coração, a dor já começava a transbordar.
Ela tinha o pressentimento de que, dessa vez, o seu pai não conseguiria resistir.
— Sim, nós vamos sair do hospital. Vamos para a Cidade S visitar o vovô e a vovó. — Viviane Adrie forçou um sorriso para explicar ao filho.
— Que legal! Vamos viajar de novo! — Daniel ficou muito feliz, com a voz animada.
Pelo visto, a internação era tediosa demais e a criança ansiava por passear.
Orlando Rocha aproximou-se e pegou o filho no colo com um único movimento.
— Vamos logo para casa fazer as malas.
— Uhum.
No entanto, com a cabeça cheia de preocupações, não teve um sono profundo.
Sabendo que eles chegariam em cinco pessoas, Severino Macedo levou uma van da Mercedes. Dali, partiram direto da estação de trem para o hospital.
Depois de um bom tempo no carro, Viviane Adrie finalmente criou coragem para perguntar:
— Meu pai... como ele está?
Severino Macedo suspirou, o tom de voz sombrio:
— O meu tio sofreu falência múltipla dos órgãos. Os médicos fizeram tudo o que estava ao alcance. Agora, a vida dele está sendo mantida por aparelhos de ECMO, só aguardando você chegar para o último adeus.
Viviane Adrie sempre achou que não nutria muitos sentimentos pelos seus pais biológicos, acreditando que, mesmo se os perdesse, não sofreria tanto.
No entanto, os fatos mostraram que o vínculo de sangue não precisa de tempo para construir uma profunda empatia.
Bastou ouvir as palavras "último adeus" para que as lágrimas caíssem incessantemente, como uma represa rompida.
Sentado ao lado dela, Orlando Rocha segurou a mão da esposa, oferecendo um consolo silencioso.
— Na verdade, a vida do meu tio foi muito difícil nestes últimos anos, cada dia parecia uma eternidade cheia de dor e sofrimento. Isso, no fim das contas, é uma libertação para ele. — Severino Macedo a confortou.

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