Enquanto conversavam, Viviane Adrie terminou de vestir a capa de chuva.
Orlando Rocha olhou para ela e alertou:
— Coloque o capuz e puxe bem os cordões. Deixe apenas o nariz e a boca de fora para conseguir respirar.
A intenção era protegê-la ao máximo, para que se molhasse o mínimo possível.
— Hã? E como eu vou enxergar o caminho? — Viviane Adrie o encarou confusa.
— Não precisa. Eu vou carregar você, basta segurar o guarda-chuva. — Ele se aproximou ainda mais da porta do carro e explicou.
A chuva estava tão forte que, com a porta aberta, muita água ainda espirrava para dentro do veículo, mesmo com Orlando Rocha bloqueando a entrada com o guarda-chuva.
Sem discutir, Viviane Adrie obedeceu, colocou o capuz da capa, puxou os cordões até o limite e os amarrou.
Orlando Rocha entregou-lhe o guarda-chuva, e ela o segurou com firmeza.
Em seguida, ele se inclinou para dentro do carro e a pegou no colo com segurança, segurando-a pelos braços e pernas.
— Tem certeza de que consegue? Talvez seja melhor eu ir andando. — Preocupada, sem saber que distância teriam de percorrer, ela perguntou.
Com aquele vendaval e a água correndo pela rua até a altura da panturrilha, era realmente perigoso.
— Não se preocupe, apenas segure o guarda-chuva com força. Eu não vou deixar você cair.
A voz de Orlando Rocha soou acima da cabeça dela.
Depois de tirá-la do veículo, Orlando Rocha deu um chute leve para trás e fechou a porta do carro.
A chuva açoitava seus rostos. Viviane Adrie até queria falar, mas na prática, mal conseguia abrir a boca.
O vento soprava forte e desordenado; ela só pode fechar os olhos bem forte e apertar o cabo do guarda-chuva com as duas mãos.
Enquanto isso, Orlando Rocha a segurava firmemente, passou por duas barreiras de contenção e caminhou em direção ao local onde havia estacionado.
Na verdade, a distância não era tão grande, mas como ele precisava desviar dos carros e redobrar a atenção, o passo era naturalmente mais lento.
Aninhada em seus braços, Viviane Adrie não enxergava nada, mas com a cabeça encostada no peito dele, conseguia ouvir nitidamente os batimentos de seu coração.
Tum-tum, tão fortes quanto os trovões ao longe.
Contudo, diferentemente do pavor que os trovões traziam, aquele som a enchia de profunda paz.
Com os olhos cobertos pelo capuz da capa, ela não conseguia ver nada do lado de fora.
Apenas quando Orlando Rocha soltou uma das mãos que apoiava as pernas dela para alcançar algo e o clique da porta ecoou, ela percebeu que haviam finalmente chegado ao veículo.
O chassi do Mercedes Classe G era alto, permitindo que Orlando Rocha a colocasse com cuidado no banco apenas se inclinando levemente.
— Tire a capa de chuva, está encharcada. — Ele instruiu.
Mesmo que ele não tivesse dito nada, a primeira reação de Viviane Adrie seria tirar a capa, caso contrário inundaria o interior do carro.
Ela ainda não havia terminado de se desvencilhar da capa quando a porta do motorista se abriu e Orlando Rocha entrou.
O fechamento das portas isolou o barulho ensurdecedor do temporal lá fora. Os dois se entreolharam; ambos estavam com um aspecto deplorável, mas o ambiente exalava um aconchego e uma tranquilidade ímpares.
Orlando Rocha havia se preparado bem ao pedir que o amigo levasse o carro até ali.
Havia várias toalhas grandes e limpas disponíveis no banco.
— Seque-se rápido, para não pegar um resfriado.

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