— Eu imagino. Avaliando pela excelente educação, caráter e refinamento do Orlando, é evidente que os pais dele são pessoas extremamente distintas. Falando francamente, eu deveria ter me preparado muito melhor antes de visitá-los; tudo aconteceu muito de repente esta noite. — Poliana Veloso concordou com entusiasmo, acenando repetidas vezes, com um largo sorriso no rosto.
— Não se preocupe, meus pais não se apegam a essas formalidades menores. Pelas regras de etiqueta, seriam eles que deveriam ter viajado à Cidade S para fazer a primeira visita. O encontro de hoje foi, de fato, arranjado de forma um tanto apressada, mas, já que surgiu a oportunidade, é maravilhoso que as famílias possam finalmente se conhecer. — Orlando Rocha olhou pelo espelho retrovisor e tranquilizou-a educadamente.
— Pois é. Já que viemos até aqui, obviamente tínhamos que nos encontrar. — Poliana Veloso concordou com Orlando Rocha, para logo em seguida voltar seu olhar para Viviane Adrie, transbordando um carinho maternal impossível de disfarçar.
Diante daquela expressão terna de sua mãe biológica, Viviane Adrie retribuiu com um sorriso tímido, sentindo-se sem saber ao certo sobre o que conversar.
Embora ainda estivesse tentando se adaptar a essa nova proximidade, uma reconfortante onda de calor aqueceu seu coração.
Independentemente de tudo, descobrir a verdade sobre suas origens e encontrar seus pais biológicos durante a vida era um verdadeiro milagre. Eles haviam sido tão generosos a ponto de lhe transferir toda a sua fortuna e, agora, esforçavam-se sinceramente para compensar as falhas do passado. Sob qualquer perspectiva, aquilo era um final perfeitamente feliz.
Ainda mais agora que estava grávida, prestes a ser mãe de três filhos no futuro, ela se sentia disposta a abraçar o passado com um coração compreensivo e a perdoar tudo o que ficara para trás.
Quando o carro de Orlando Rocha estava prestes a chegar à propriedade ancestral, a Velha Senhor Rocha ligou.
Ao saber que eles chegariam em questão de minutos, a idosa desligou o telefone e chamou o marido para esperarem juntos na entrada do grande pátio.
— Meus pais já estão nos esperando na entrada. — Orlando Rocha ergueu os olhos para o retrovisor com um leve sorriso ao avistar de longe os pais caminhando em direção aos portões para recebê-los.
Viviane Adrie olhou para fora e confirmou que realmente estavam lá.
— Mãe, tia, aqueles ali são meus sogros. — Viviane Adrie virou-se para apresentá-los, sentindo uma leve palpitação de ansiedade no peito.
Considerando a linhagem ilustre e o status elevado da Família Rocha, raras eram as pessoas capazes de fazer com que os dois patriarcas saíssem pessoalmente para dar as boas-vindas.
Ainda assim, eles haviam demonstrado imenso respeito por sua família biológica, esperando ansiosamente pelos convidados junto ao portão.
Aquele profundo gesto de respeito e cortesia deixou Viviane Adrie ao mesmo tempo comovida e preenchida de um genuíno sentimento de orgulho.
— Não tem problema nenhum, espere até eu estacionar o carro em segurança.
Assim que o Maybach parou lentamente, Severino Macedo, que estava no banco do passageiro, saiu do carro às pressas, abriu a porta traseira e auxiliou Poliana Veloso a descer.
— Meus caros consogros... Peço mil desculpas por esta visita tão repentina. Espero não estar incomodando. — Assim que seus pés tocaram o chão, Poliana Veloso fixou os olhos nos sogros da filha que se aproximavam e, com enorme entusiasmo e calor, adiantou-se para cumprimentá-los.
Poliana Veloso não desfrutava de boa saúde e geralmente dependia de uma cadeira de rodas para se locomover.
Mas, ao avistar a família de sua filha, não apenas esqueceu completamente a cadeira de rodas, como estava tão eletrizada pela emoção que sequer quis ser amparada, caminhando a passos ágeis e estendendo a mão por vontade própria.
A Velha Senhor Rocha caminhava lado a lado com o marido, mas ao notar a consogra se aproximando apressadamente, imitou o gesto e apertou o passo.
— Minha querida consogra, não há necessidade para tantas formalidades. Nossos filhos encontraram um belo destino juntos e já estão casados. Como eu estava dizendo, nós é que deveríamos tê-los visitado muito antes. Somos nós que devemos pedir desculpas pela nossa falta de cortesia, mil perdões.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quem é o pai de Daniel?