As duas senhoras agarraram-se pelas mãos, transbordando empolgação e afeição, quase como dois batalhões se reencontrando após uma gloriosa vitória. Parecia não ser um primeiro encontro, mas sim o emocionante reencontro de grandes amigas após décadas de separação.
Viviane Adrie vinha logo atrás, alcançando-as com alguns passos de diferença.
— Mãe, esta é a minha tia, e este é o filho dela, o meu primo. — Como Rebeca Veloso e Severino Macedo estavam apenas a um passo dela, Viviane Adrie tomou a iniciativa de fazer as apresentações à Velha Senhor Rocha tão logo se posicionou.
— Muito prazer, minha senhora. Peço desculpas pela intrusão. — Rebeca Veloso prontamente estendeu a mão.
— Boa noite, senhora. — Severino Macedo curvou-se com reverência para cumprimentar a Velha Senhor Rocha e, voltando-se para o Senhor Carlos Rocha, curvou-se novamente. — Boa noite, senhor.
— Não há necessidade de tantas reverências. Sintam-se completamente em casa, sem cerimônias. — O Senhor Carlos Rocha sorriu e acenou levemente com a mão para tranquilizá-los.
Orlando Rocha caminhava logo atrás, exibindo o mesmo passo tranquilo de quem passeia em um parque.
Ao se aproximar de Viviane Adrie, ele segurou a mão da esposa em silêncio e lhe deu um aperto suave.
Viviane Adrie virou o rosto para encará-lo, e os dois trocaram um sorriso cúmplice.
Mesmo sem proferirem uma única palavra, compreendiam perfeitamente as vozes e as emoções de seus respectivos corações.
Ambos estavam extremamente felizes e satisfeitos com a forma como tudo se desenrolava.
Aquele grupo de adultos parados no pátio trocando gentilezas acabou por negligenciar completamente a presença do pequeno Daniel, de apenas três anos.
— O que todos vocês estão fazendo aí fora? Olha só, a vovó, a tia-avó e o titio chegaram! — gritou a criança de longe, surgindo na porta da sala de estar para trazê-los de volta à realidade.
Para a surpresa de todos, o menininho havia gravado cada um dos parentescos perfeitamente. Sua vozinha estridente, carregada de encanto e espanto, irrompeu através da rodinha de adultos engajados nas formalidades.
Quando todos se viraram para olhá-lo, abriram largos sorrisos instantaneamente.
— Daniel, querido! Meu Deus, quase nos esquecemos do nosso precioso Daniel! — brincaram os mais velhos, visivelmente encantados.
— Sua vovó, tia-avó e titio vieram nos visitar hoje. Eles são bem-vindos? — Orlando Rocha virou-se, foi em direção ao filho e inclinou-se para pegar a criança nos braços com facilidade.
— Claro que são bem-vindos! Então isso significa que hoje serei o pequeno anfitrião! — Daniel bateu as mãozinhas animado.
— Vá depressa ajudar a Viviane. Como você deixa ela mexer com água quente? E se ela se queimar?
Assustado, Orlando Rocha ergueu os olhos e só então notou a esposa ao lado do balcão.
Rapidamente, caminhou até ela.
— Deixe que eu faço isso. Você só precisa ficar sentada, não tem que se preocupar com nada disso. — Ele rapidamente arrancou a chaleira das mãos de Viviane Adrie antes que ela pudesse levantá-la e resmungou as palavras em tom de advertência afetuosa.
— Eu consigo lidar com algo tão simples. Além do mais, é a minha família. Eu deveria servi-los. — sussurrou Viviane Adrie, lançando-lhe um olhar complacente.
— Que negócio é esse de 'sua família' ou 'minha família'? Nós somos uma única família. De qualquer forma, não precisa se preocupar com isso. Apenas sente-se confortavelmente e descanse.
Orlando Rocha replicou com tranquilidade, sem parar a tarefa de preparar o chá.
Ao observar o perfil incrivelmente formoso do marido e, logo em seguida, escutar a conversa animada e descontraída entre seus sogros, sua mãe e sua tia na sala de estar, Viviane Adrie soltou um profundo e silencioso suspiro de admiração e completude.

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