Mas por dentro, ela já estava um poço de nervosismo e timidez, com o coração parecendo uma bagunça completa.
Orlando Rocha saiu do carro e subiu as escadas, trazendo nos braços um enorme buquê de tulipas.
Era a primeira vez na vida que comprava flores para alguém, neste caso, para a sua própria esposa.
Ao imaginar como seria aquele momento, até o formidável e implacável Advogado Rocha também se sentiu nervoso e encabulado, com os pensamentos numa completa desordem.
Ao empurrar a porta do quarto, fez uma pausa proposital.
Lembrou-se do episódio em que chegou à noite e Viviane Adrie se escondera atrás da porta para assustá-lo.
E perguntou-se o que ela teria preparado dessa vez.
No entanto, quando a porta se abriu de vez, o quarto parecia perfeitamente normal.
Seu olhar varreu o ambiente até encontrar a esposa ocupada à mesa de trabalho.
Ela parecia imperturbável como uma rocha, como se nem tivesse notado a sua chegada.
Orlando Rocha rapidamente compreendeu: a raiva dela ainda não havia passado.
Mas, longe de se preocupar, os seus lábios se curvaram num sorriso.
Caminhou até ela segurando o buquê, e ao notar que a esposa evitava erguer os olhos, o sorriso em seu rosto tornou-se cada vez mais difícil de conter.
Colocando o arranjo floral sobre a mesa, inclinou-se e, aproximando-se, depositou-lhe um beijo.
— O que houve? Eu volto e não ganho nem uma recepção?
O rosto de Viviane Adrie corou de imediato. Num movimento proposital, ela empurrou-o de leve com o cotovelo, tentando se esquivar:
— Você não é imperador. Espera que eu me ajoelhe para te receber?
O sorriso de Orlando Rocha se intensificou, e ele aproximou o buquê ainda mais dela:
— Você tem todo o direito de ficar brava comigo, mas estas flores são tão lindas, você precisa aceitá-las.
Na verdade, no exato momento em que Orlando Rocha colocou as flores na mesa, Viviane Adrie já as tinha visto.
Eram tulipas roxas. Nobres, elegantes, frias e sedutoras!
Aquele encanto tomou conta dela à primeira vista.
Caso contrário, Deus sabe quantas pessoas deixariam os queixos caírem no chão.
Ao notar que Viviane Adrie demorava a dizer algo, ele puxou a cadeira, girando-a de forma que ela ficasse de frente para ele. Então, agachou-se e, olhando-a de baixo para cima, indagou:
— O que foi? Não gostou?
Viviane Adrie comprimiu os lábios. No fundo, desejava continuar mantendo o seu ar de durona.
Porém, ao deparar-se com aquele rosto demasiadamente belo e charmoso, e ao lembrar que ele vinha se desgastando tanto para ajudar os seus pais... Sua resistência se desfez.
Na verdade, aquilo nem poderia ser considerado raiva.
Aquela pequena irritação já havia se dissipado no instante em que ela acordou do seu cochilo, no início da tarde.
Como se poderia explicar? Talvez ela estivesse se sentindo segura demais por ser tão amada.
Orlando Rocha era bom demais e a mimava tanto que acabara alimentando o lado manhoso da sua personalidade.
Trocaram olhares intensos. Viviane Adrie permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de perguntar com total seriedade:
— Se eu ficar chateada por algo tão pequeno, você não acha que estou sendo muito dramática, ou muito sensível e mesquinha?

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