Mas Viviane Adrie era esperta o suficiente para bater os olhos na mensagem e sacar a artimanha dele.
Mesmo sabendo que ela não gostaria, ele foi lá e fez?
Ele devia ter calculado que a raiva dela não daria em nada.
Sem saber como responder, preferiu ignorar. Após ler o Whatsapp, fechou a conversa, colocou o celular de volta sobre a mesa e continuou comendo.
Até o fim do almoço, Orlando Rocha não recebeu resposta da esposa e concluiu que estava encrencado; ela realmente ficara brava.
Ao sair do restaurante, ele ficou para trás de propósito e ligou para Viviane Adrie.
Porém, a chamada não foi atendida.
Ele franziu a testa, os lábios curvando-se num sorriso de impotência.
Desde que se conheceram, se envolveram e se apaixonaram, aquela era a primeira vez que ela ficava zangada e o ignorava.
Na porta do restaurante, enquanto entrava no carro para ir embora, Poliana Veloso olhou para trás à procura do genro.
Severino Macedo o chamou; Orlando Rocha guardou o celular e apressou o passo.
— Sogra.
Cumprimentou com educação, em um tom bastante formal.
Poliana Veloso olhou para ele com o olhar repleto de admiração, feliz por constatar que a filha tinha mesmo muito bom gosto.
— Orlando, hoje à noite você volta para a Cidade J. Infelizmente não poderei ir levá-lo. Você teve muito trabalho nesses últimos tempos.
Poliana Veloso era uma pessoa de boas maneiras; não podendo demonstrar sua gratidão com ações, fazia questão de expressá-la em palavras.
Orlando Rocha respondeu com serenidade:
— Não se preocupem com o caso. Assumirei total responsabilidade por ele até o fim.
— Ótimo, em suas mãos nos sentimos tranquilos.
Poliana Veloso e Rebeca Veloso entraram no carro e partiram primeiro.
Severino Macedo precisou voltar à empresa para resolver algumas pendências.
E Orlando Rocha seguiu para o escritório de advocacia.
O seu voo estava marcado para as sete da noite, então bastaria sair do escritório por volta das cinco da tarde.
Ao entrar no carro, ele tornou a ligar para Viviane Adrie.
Naquele momento, Viviane Adrie se preparava para deitar um pouco após o almoço.
Ao notar que ele já havia ligado duas vezes em um intervalo de dez minutos, ela encarou a tela por alguns segundos e, ainda que hesitante, decidiu atender.
No entanto, adotou um tom de voz propositalmente indiferente.
Naquela mesma noite, ele estaria de volta...
————
Quando o avião de Orlando Rocha pousou na Cidade J, o relógio marcava exatamente nove horas da noite.
Viviane Adrie, acompanhada de Daniel, ainda estava hospedada na Vila de Rocha.
Antes, com a chegada do Ano Novo, ficar ali garantia um ambiente mais animado.
Teoricamente, já poderiam ter retornado para a mansão onde viviam.
Mas, como Orlando Rocha precisou viajar, a Velha Senhor Rocha não se sentia tranquila deixando mãe e filho sozinhos na casa deles, mesmo com os empregados presentes.
Por conta disso, ela insistiu que ficassem mais algumas noites, pelo menos até que o filho voltasse de viagem.
Durante a conversa ao telefone na hora do almoço, Viviane Adrie garantiu que não ficaria acordada aguardando certo alguém, e que iria dormir mais cedo.
Porém, na realidade, ela não conseguiu pregar os olhos. Seu coração batia em grande expectativa, e ela verificava o relógio a todo momento.
No fim, acabou ligando o computador e retomou a programação, forçando-se a mergulhar no trabalho para distrair a mente.
Ao escutar o som do motor de um carro vindo do andar de baixo, nem precisou se levantar para olhar pela janela; ela já sabia que aquele alguém havia chegado.
Diferente da última vez, em que se escondera atrás da porta para dar-lhe um susto, daquela vez Viviane Adrie não se moveu um milímetro. Nem sequer mudou a sua expressão.

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