Bastou a Viviane Adrie observar aquele olhar para saber exatamente o que passava pela mente dele.
Naqueles poucos dias de viagem, embora dividissem a mesma cama todas as noites e trocassem carícias constantemente.
Viviane Adrie não havia esquecido as orientações de Zacarias Pacheco, evitando ter noites de amor intensas com ele diariamente.
Zacarias Pacheco recomendara que o ideal seria de duas a três vezes por semana.
Frequência excessiva ou escassez prolongada não eram favoráveis para engravidar.
No entanto, para um homem no auge do vigor físico, o desejo era de até três vezes ao dia. Reduzir aquilo para uma vez a cada três dias, sem dúvida, exigia um grande autocontrole da parte dele.
Por causa disso, Viviane Adrie vivia se deparando com o olhar voraz dele.
Um olhar que sempre lhe dava vontade de dar meia-volta e sair correndo.
— O que você está fazendo? O Daniel está bem aqui. — Viviane Adrie, percebendo a mudança na expressão dele, deu-lhe um leve empurrãozinho e o advertiu em voz baixa.
— Não tem problema. O Daniel é nosso filho.
Orlando Rocha respondeu em um tom que misturava seriedade e brincadeira.
Em seguida, virou o rosto para o garotinho, que brincava em um canto, e pigarreou de leve.
— Daniel, vire de costas e preste atenção nos seus brinquedos. Não se vire para cá até que o papai o chame. Entendeu?
— Orlando Rocha! — Viviane Adrie não esperou que ele terminasse de falar, acertando-o com um soco envergonhado.
Que tipo de pai agia daquela maneira?
Porém, Daniel era extremamente obediente ao pai. Virou o rostinho e respondeu com uma voz cristalina:
— Sim, papai!
Depois de uma pausa, o pequeno perguntou com um ar de malícia infantil:
— O papai vai beijar a mamãe de novo?
— Daniel! — Viviane Adrie bateu o pé, exasperada.
Orlando Rocha sorriu de canto e instruiu o filho:
Racionalmente, ela queria pôr um fim naquele beijo e escapar do abraço dominador.
Porém, na prática, a situação já havia fugido inteiramente ao seu controle.
A força com que Orlando Rocha a cingia era tão intensa que parecia querer fundi-la à própria pele.
E aquele beijo devastador e faminto quase sugava a alma do seu corpo.
Ela sentia, com clareza, seu corpo ficar anestesiado e as pernas tão moles a ponto de ameaçarem falhar, como se fossem desabar a qualquer instante.
Se continuassem daquele jeito, não teriam condições de ir jantar na casa de Severino Macedo mais tarde.
Com enorme força de vontade, Viviane Adrie resgatou um resquício de lucidez, segurando as bochechas dele e o forçando a parar.
— Já... já chega. Acabei de retocar a maquiagem... — ela reclamou, as bochechas coradas, ofegante e com os olhos marejados de desejo.
Mesmo com o rosto preso pelas mãos dela, Orlando Rocha avançou para lhe roubar mais dois beijos rápidos, sussurrando em um tom sugestivo:
— O que faremos? Eu já não quero ir jantar com a Família Macedo...

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