— Certo, não se preocupe com a gente. Até a noite.
Viviane Adrie levantou-se e acenou com a cabeça para Severino Macedo e os demais.
— Até a noite.
Ao sair do quarto do hospital, Viviane Adrie soltou outro suspiro pesado.
Orlando Rocha segurava Daniel, que logo adormeceu, seu corpinho repousando relaxado contra o peito do pai.
Precisando usar as duas mãos para amparar a criança, ele não tinha como dar a mão para Viviane Adrie. Por isso, apenas olhou por cima do ombro e perguntou.
— Tudo bem por aí?
— Sim, tudo bem. — Viviane Adrie sorriu, deu um passo à frente e entrelaçou o próprio braço no dele, tomando a iniciativa.
Caminhando lado a lado, Viviane Adrie repassou as cenas que haviam acabado de acontecer, suspirando.
— Pude perceber o quanto eles tentavam ser cuidadosos perto de mim. Eu queria muito relaxar, queria agir de maneira mais solta e natural, mas não conseguia evitar uma certa distância...
— Isso é perfeitamente normal. Afinal, você não tem nenhuma memória com eles e, querendo ou não, eles têm uma parcela de culpa por terem te perdido no passado. Agir como você está agindo agora já é uma demonstração enorme de tolerância e generosidade.
— Sabe, antes, eu estava morrendo de vontade de perguntar por que não continuaram procurando até me acharem. Mas, pensando bem... acho que não há mais necessidade.
Se ela já havia decidido perdoar e aceitar aquele reencontro, continuar questionando só traria dores de cabeça desnecessárias.
Orlando Rocha admirava exatamente aquela clareza de pensamento nela. Ele a olhou com um sorriso e, de repente, aproximou seu belo rosto, depositando um beijo suave em sua bochecha.
— Tão jovem e já entende as complexidades da vida. Menina esperta. Faz jus ao título de engenheira.
Pega de surpresa, Viviane Adrie só processou o que havia acontecido depois do beijo. Imediatamente, ruborizou-se e levantou a mão para bater nele de brincadeira.
Orlando Rocha soltou uma risada abafada e a advertiu rapidamente.
— O Daniel está dormindo. Não o acorde.
Com a mão já no ar, Viviane Adrie não teve escolha a não ser paralisá-la no meio do caminho.
Viviane Adrie tinha acabado de terminar a maquiagem. Orlando Rocha atendeu a chamada, lançou um olhar para ela e respondeu que já estavam de saída.
Quando a ligação terminou, Viviane Adrie virou-se e deu uma leve desfilada na frente dele.
— O que achou? Está bom assim?
Ela vestia o vestido novo que havia comprado naquele dia. O tom verde-abacate contrastava perfeitamente com a pele alva e fria dela. O choque visual entre as duas cores era impressionante, trazendo um ar renovador que a deixava absolutamente deslumbrante.
Orlando Rocha largou o celular. Seu olhar escureceu de imediato enquanto ele caminhava em direção a ela.
— Sim. Está mais do que perfeito. — Orlando Rocha elogiou, hipnotizado, enquanto levava as mãos às cinturas dela.
Durante o tempo em que estiveram juntos, Viviane Adrie fora muito bem cuidada. Tanto a alimentação quanto as roupas e acessórios haviam elevado drasticamente seu padrão de vida.
Agora, seu corpo finalmente ganhara curvas um pouco mais cheias, e sua pele tornara-se cada vez mais macia e delicada. Ao olhar para ela, parecia até que o tempo estava correndo ao contrário, de tão jovial que aparentava.
Orlando Rocha frequentemente sentia-se tão enfeitiçado que não conseguia desviar o olhar, desejando apenas ficar grudado nela a cada segundo.

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