— No começo, se você não dissesse nada, eu até pensaria que você era muda.
Mirella Laranjeira pousou a taça de vinho e, com um gesto casual, limpou o que parecia ser um pó imaginário da mão. — Fez tanta questão de ser humilhada? Então vou te ajudar.
— Sua descontrolada! — A mulher tremeu de raiva, quase chorando, e se virou para Cesar Serra, pedindo apoio: — Diretor Serra, ela passou dos limites, o senhor precisa me defender!
A moça de vestido vermelho, acostumada com esse tipo de escândalo conjugal, não demonstrou nenhum sinal de constrangimento por estar envolvida em algo assim. Como o homem ao seu lado também não parecia nem um pouco preocupado em ser descoberto, ela se sentiu ainda mais à vontade, acreditando que teria apoio para humilhar a esposa legítima.
Mas Cesar Serra apenas deu um leve tapa no paletó para tirar uma mancha de vinho e disse, frio, apenas duas palavras:
— Pode sair.
A mulher ficou paralisada, sem aceitar, tentando apelar:
— Diretor Serra...
— Não repito.
A voz de Cesar Serra ficou ainda mais grave, carregada de autoridade natural.
A mulher empalideceu, engoliu o choro, e saiu cabisbaixa.
O silêncio voltou à sala reservada, quebrado apenas pela música ambiente em volume baixo.
Só então Cesar Serra levantou o olhar para Mirella Laranjeira.
— O que você está fazendo aqui?
Mirella respondeu com leveza:
— Vim te buscar. Sua mãe pediu, sabe como é, obedece a mãe, volta cedo pra casa, filho.
A irritação nos olhos de Cesar Serra aumentou. Ele se afundou ainda mais no sofá, numa postura claramente desafiadora.
— E se eu não quiser?
— Mirella, já está bom, né? — Isaque Ribeiro voltou a provocar. — Cesar não volta pra casa cedo faz tempo, você nunca ligou, hoje tá estranha? Homem tem que trabalhar, mulher espera em casa, ficar fazendo escândalo não pega bem!
Mirella Laranjeira sorriu de canto e sentou-se com elegância na poltrona ao lado.
— Ótimo, então ninguém precisa se preocupar.
Enquanto todos achavam que ela iria apenas engolir a situação e esperar Cesar cansar das festas, Mirella fez um sinal para o gerente Castro, que estava perto da porta.
— Me passa o tablet.
— O quê? — O gerente Castro ficou surpreso.
Mirella apontou para o aparelho nas mãos dele e repetiu com clareza:


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando o Orgulho se Torna Saudade