O monitor cardíaco pulsava em ondas estáveis, sem qualquer alteração.
Mirella Laranjeira, distraída, tocou o anel de prata discreto no dedo anelar da mãe e suspirou levemente:
— Ainda não superou o papai, né? Mesmo depois de tudo, ele fez questão de romper todos os laços com você.
Helena Barbosa havia emagrecido muito; ao girar o anel distraidamente, ele deslizou facilmente do dedo.
Olhando de perto, Mirella notou duas linhas finas e curtas, cruzando-se de maneira irregular na superfície. Provavelmente marcas do acidente de carro.
— Paciente do quarto 16, está na hora de trocar o soro.
A enfermeira entrou empurrando o carrinho de medicação.
Mirella Laranjeira recolocou o anel no dedo da mãe, despediu-se rapidamente de Leila e deixou o hospital às pressas.
——
Cesar Serra passou a manhã em uma sequência de reuniões. Retornou ao escritório exausto e fitou o canto vazio da mesa — ali, normalmente, repousaria a marmita térmica que Mirella Laranjeira costumava trazer.
Januario Pacheco bateu à porta com cautela, segurando uma marmita nas mãos:
— Diretor, já providenciei para que a Srta. Martins seja recebida pela Companhia Cênica Aurora.
Cesar Serra massageou as têmporas, sem responder.
Ao abrir a marmita e ver os camarões salpicados de cebolinha, franziu a testa:
— Por que tem cebolinha?
O suor escorreu nas costas de Januario Pacheco, que apressou-se em explicar:
— Me desculpe, diretor Serra. Esperei muito tempo no estacionamento e não vi a senhora chegar com o almoço. O tempo ficou apertado, então comprei algo no refeitório.
Sua voz foi diminuindo:
— Esqueci que o senhor não come cebolinha... Vou providenciar outra refeição imediatamente.
— Não precisa. — Cesar Serra pegou o garfo e começou a retirar as cebolinhas uma a uma.
Fixando-se nos pequenos pedaços verdes, não pôde evitar lembrar de Mirella Laranjeira, sempre tão dedicada, retirando cada cebolinha com um olhar concentrado, como se resolvendo um problema matemático.
Ele não gostava de comer cebolinha, mas apreciava o aroma do refogado.
— E ela? — Cesar Serra perguntou de repente.
— Perdão? A senhora, o senhor diz?
— O que você acha?
— Paula comentou que ela tomou café da manhã, se arrumou com muito capricho, atendeu uma ligação e saiu. Até agora, não voltou pra casa.
Januario Pacheco engoliu em seco, conjecturando consigo mesmo: será que está acontecendo algo a mais? Não é à toa que o diretor está com o humor tão sombrio hoje.
Cesar Serra bateu o garfo na mesa:
— Estou mesmo mimando demais essa mulher. Nem almoço ela trouxe. Se ela ligar para saber da minha agenda, não diga nada. Considere isso um castigo.
Januario Pacheco limpou o suor da testa:


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