Cesar Serra estava de cabeça baixa, analisando alguns documentos, quando ouviu a palavra “divórcio”. A ponta da caneta parou por um momento, espalhando uma mancha de tinta sobre o papel.
Ele ergueu o olhar devagar para Mirella Laranjeira, como se quisesse confirmar se tinha ouvido certo.
— O que você disse?
— Já está surdo nessa idade?
Mirella Laranjeira elevou o tom de voz, falando devagar e com clareza:
— Vamos nos divorciar. Assine este acordo.
Cesar Serra recostou-se displicentemente na cadeira, com um leve sorriso nos lábios, quase imperceptível.
— Está tentando me provocar, Mirella? Aprendeu isso onde? Tem assistido novela demais?
— Se quer brincar de provocação, brinque sozinho.
Mirella Laranjeira avançou dois passos, virou até a última página do acordo de divórcio e apontou para a própria assinatura.
— Só falta você assinar. Depois marcamos um horário para oficializar.
O olhar de Cesar Serra deslizou pelo nome dela, escrito com firmeza, e por fim parou no valor estabelecido na cláusula de partilha de bens.
— Cinquenta milhões? — ele riu, o tom carregado de ironia. — Quer tudo de uma vez, não? Nunca vi alguém tão gananciosa.
— Pois agora está vendo.
Com um estalo, Mirella Laranjeira lançou uma segunda via do acordo sobre a mesa.
— Faço um desconto: trinta milhões.
Cesar Serra lançou-lhe um olhar frio, sem responder.
Mirella tirou mais um papel, testando os limites:
— Vinte milhões?
— Quantos acordos você preparou? — o cenho dele se fechou, já impaciente.
Antes que a resposta viesse, mais um documento caiu sobre a mesa.
— Dez milhões — Mirella sorriu de leve. — Não acredito que o diretor Serra seja tão mesquinho. Se não quiser dar nem dez milhões para a ex-esposa, sua reputação vai ficar péssima. Depois do divórcio, não garanto que não vá falar de você por aí.
Cesar Serra deu de ombros.

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