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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 439

Esses dois se provocavam desde pequenos.

Ramon Domingos sorriu com frieza.

— Está tão confiante assim?

Ramon Domingos e Samuel Palmeira tinham personalidades completamente opostas. Ramon Domingos buscava se aprofundar no budismo justamente porque sabia que seu coração era inquieto, sempre preocupado, cheio de questões para resolver.

Ciente de suas próprias fraquezas, ele tentava encontrar serenidade.

Já Samuel Palmeira era o oposto: por trás de uma fachada calma, escondia uma natureza impulsiva. Parecia enxergar tudo de forma leve, como se tudo estivesse sob seu controle. Às vezes, Ramon Domingos achava que Samuel Palmeira era autoconfiante até demais.

Porém, naquele momento, Ana Rocha realmente surpreendia Ramon Domingos.

Pelo menos, sua futura “herdeira” não era alguém sem potencial algum.

Mas Thiago Palmeira? Será que conseguiria enfrentar João Viana e Luana Viana, esses verdadeiros mestres da manipulação?

— Vamos ver no que vai dar — respondeu Samuel Palmeira, sugerindo que Ramon Domingos apenas observasse por enquanto.

Quando Pedro Palmeira faleceu e Thiago Palmeira assumiu a reorganização do Grupo Palmeira, Samuel Palmeira já havia começado a ver o rapaz com outros olhos.

Aquele jovem, se continuasse seguindo o caminho certo, teria um futuro brilhante.

O problema era se, em algum momento, Thiago cometesse um deslize. Um passo em falso poderia arruiná-lo por completo.

Aeroporto.

Ana Rocha já havia resolvido todas as pendências em casa e viajava com Camila Alves para Cidade R.

Camila Alves precisava voltar primeiro para Cidade R para ver seus pais. Ana Rocha também queria ir à Cidade R, sob o pretexto de prestar homenagens a Samuel Palmeira e ao patriarca da família Palmeira, mas, na verdade, queria visitar os túmulos de seus próprios pais biológicos.

O “túmulo” de Samuel Palmeira ficava em Cidade R, ao lado do do patriarca da família Palmeira. Aquele cemitério era considerado um local de grande misticismo, escolhido anos antes pelo patriarca e pelo avô Gabriel. Ninguém imaginava, porém, que Gabriel teria que enterrar o próprio filho, a nora e a esposa, antes de sua própria partida.

Imobilizada no chão, Maia Serra parecia atordoada, lançou um olhar furioso para Ana Rocha.

— Ana Rocha!

— Imbecil — disse Ana Rocha, olhando Maia Serra de cima. — Seus pais claramente deram toda a inteligência ao seu irmão.

Comparada a Rafael Serra, Maia Serra era incrivelmente ingênua.

— Você está sendo usada e nem percebe, Maia Serra. Quando é que vai parar de agir assim? Quem te incentivou sabia muito bem que eu ando sempre acompanhada de seguranças, que esse lugar está cheio de câmeras. Queria te transformar numa ferramenta, para que acabe internada para sempre ou presa. Você realmente quer passar o resto da vida num hospital psiquiátrico ou atrás das grades? — Ana Rocha se agachou, sua voz cortante. — Os nossos problemas acabaram quando você foi presa, não foi?

Maia Serra hesitou por um instante. Era nítido que as palavras de Ana Rocha tinham surtido efeito; ela estava refletindo sobre aquilo.

Sim, depois de tanto esforço para sair da prisão, por que agir por impulso num lugar lotado de pessoas? Ela realmente podia acabar internada para sempre.

Engolindo em seco, Maia Serra perdeu a arrogância.

Afinal, tinha sido Mariana Domingos quem, nos últimos dias, vinha provocando-a, deixando-a inquieta, e também quem distraiu a cuidadora para que Maia conseguisse fugir…

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