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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 421

Diana Batista e Luana Viana sorriram e assentiram com a cabeça.

Três mulheres juntas sempre causam alvoroço. Agora que Samuel Palmeira estava morto, elas pareciam mais ousadas do que nunca, reunindo-se abertamente, sem qualquer receio.

Quando as três se afastaram, Camila Alves, que observava de longe, soltou um resmungo. De fato, estavam todas do mesmo lado, como cobras e ratos numa só toca.

Essas pessoas já nem se preocupavam mais em disfarçar suas intenções.

Com um olhar de pena, Camila fitou Ana Rocha. Ela permanecia sentada, abraçada ao retrato de Samuel Palmeira, sem expressão alguma — sua postura transmitia uma dor silenciosa, difícil de ignorar.

Sem Samuel Palmeira, como Ana Rocha seguiria em frente?

Camila Alves suspirou e se aproximou, sentando-se ao lado dela.

— Ana... você precisa ser forte.

— Não darei o gosto que elas querem — respondeu Ana Rocha, a voz rouca, quase inaudível.

— Isso mesmo, não vamos deixar que façam o que quiserem conosco — Camila Alves abraçou Ana Rocha com delicadeza.

Ana Rocha não chorava. Apenas sentava-se ali, como se aguardasse por algo — pelo buquê de flores brancas que Ayrton Ferreira traria.

Ana se pegou pensando: se Samuel Palmeira realmente tivesse partido, o que seria dela? Parecia impossível encontrar forças e motivação para continuar.

— Senhora, meus sentimentos — disse Ayrton Ferreira ao chegar, trazendo o buquê de flores brancas escolhido por Rebeca, filha de Ana Rocha.

Enquanto os outros ofereciam apenas uma flor, Ayrton Ferreira trouxe um buquê inteiro.

Talvez fosse aquele que Samuel Palmeira e ela haviam combinado anteriormente.

As mãos de Ana Rocha tremiam quando as lágrimas, finalmente, escaparam sem controle.

Ela se levantou e, com dedos trêmulos, recebeu o buquê branco.

Samuel Palmeira não sofreria nenhum mal, ela sentia isso no fundo do coração.

— Tudo vai melhorar... — murmurou Ayrton Ferreira, cheio de significado.

Ana Rocha, chorando, assentiu.

— Que venham... — respondeu Ana Rocha, com a voz rouca. Ela tirou os óculos escuros e o olhar ficou gelado.

Antes, ela era órfã, sem apoio, sem confiança. Era alvo fácil, pois temia que os demais órfãos fossem prejudicados.

Mas agora, Samuel Palmeira havia resolvido todas as pendências do abrigo onde cresceu.

Ela era órfã, afinal. Do que mais deveria ter medo?

Camila Alves ficou sem palavras, sentindo um frio percorrer a espinha. Parecia que, desde que Samuel Palmeira sumira, Ana Rocha havia se transformado.

Tornara-se... quase assustadora.

Se antes Ana Rocha era como um coelho obediente, protegido sob as asas de Samuel Palmeira, agora parecia ter recuperado sua verdadeira natureza.

Ela nunca fora realmente um coelho.

Alguém que, órfã, cresceu num ambiente hostil e sobreviveu sem apoio dos pais, não poderia ser frágil dessa maneira.

No passado, era Samuel Palmeira quem escolhia protegê-la, e ela, de bom grado, aceitava ser sua protegida. Era só isso.

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