— Podem sair.
Fabiano Matos disse friamente, e os subordinados, como se tivessem sido aliviados, fugiram apressadamente da cena.
Meio ano sem vê-lo, e o Senhor Matos estava ainda mais assustador.
A porta do escritório da presidência se fechou. Fabiano Matos massageou a testa, abriu a gaveta e pegou o celular.
Era a vigésima vez que ele olhava o celular hoje.
Como Lúcio esperava, continuava silencioso como sempre: nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum Whatsapp.
O Senhor Matos foi... completamente abandonado pela Senhorita Ribas.
O homem franziu levemente a testa, uma fina névoa de melancolia cobrindo seu rosto austero. Ele se levantou e caminhou até a janela do chão ao teto, procurando o número de Rafaela Ribas.
O telefone tocou algumas vezes, mas o que ouviu não foi a voz que ele ansiava, e sim uma mensagem automática e formal.
[A chamada não pode ser completada no momento...]
A essa hora, ela deveria ter acabado de sair da escola e estar almoçando.
O homem estreitou os olhos, seus lábios finos se comprimiram em uma linha reta. Ele desligou a chamada e discou o número de Eduardo Matos.
Após apenas dois toques, a voz de Eduardo Matos soou rapidamente do outro lado.
— Irmão.
— O que a Rafaela está fazendo? Por que não consigo falar com ela?
Ele foi direto ao ponto, perguntando sem rodeios.
— A Rafaela, ah...
Eduardo Matos segurava o celular com a palma da mão suada, cada palavra parecia uma faca em sua garganta.
— A Rafaela... está tirando uma soneca.
— Irmão, quer que eu a acorde?
Eduardo Matos perguntou proativamente.
Ele apostava que seu irmão não teria coragem de acordar a cunhadinha.
Soneca?
Fabiano Matos olhou para o relógio de pulso, e uma voz calma e gentil escapou de seus lábios, com um toque de desapontamento.
— Deixe-a dormir.
Aquela garota realmente não sentia a menor falta dele.
— A propósito, irmão, me dê um pouco de dinheiro. — Eduardo Matos aproveitou a oportunidade, mas ao terminar de falar, sentiu a pressão do outro lado da linha cair drasticamente e mudou rapidamente de assunto: — É para comprar comida para a Rafaela.
— Ok.
Fabiano Matos concordou distraidamente, abriu o Whatsapp de Rafaela Ribas e digitou um valor: um milhão.
Dê uma folga para o Severino!
Assim que terminou de falar, Fabiano Matos desviou o olhar, com uma mão no bolso, e sua voz soou rouca:
— Vamos descer e dar uma olhada.
Precisava encontrar algo para fazer, para não ficar com a cabeça cheia daquela garota ingrata.
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Nesse momento.
Os três já haviam saído do carro, jogando as chaves para o manobrista.
— Chefe, o pessoal do Cassino do Submundo não vai te reconhecer, vai?
Adler e Hugo caminhavam lado a lado atrás dela, perguntando em voz baixa.
Afinal, anos atrás, a chefe deles quase incendiou este lugar.
— E se reconhecerem?
A garota curvou os lábios levemente. Ao entrar no saguão, não percebeu um garçom com uma bandeja e esbarrou levemente em seu ombro.
*BAM—*
Bebidas e copos caíram no chão, e o som alto instantaneamente atraiu a atenção de todos ao redor.

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