Tsc.
Um velho coitado.
Um jovem coitado.
Dois esbanjadores, quase foram massacrados por Fabiano Matos.
Rafaela Ribas pousou a tigela, ergueu levemente o queixo e apontou para as codornas no vapor ao longe.
— Irmão Samuel, quero comer aquilo.
Irmão Samuel?
Isso significava que ela o havia perdoado?
Samuel Carneiro entendeu na hora. Seu rosto, normalmente frio, agora se iluminou com um sorriso. Ele imediatamente se levantou para servi-la, tentando agradá-la de todas as formas:
— O que mais você quer comer? Me diga.
Rafaela Ribas assentiu, comendo com aparente satisfação.
Vendo que a atitude da irmã em relação a ele havia melhorado, Samuel Carneiro suspirou aliviado, continuando a colocar comida em seu prato para compensar seus erros.
O avô, o casal Henrique Carneiro e André Carneiro, que observavam de lado, ficaram boquiabertos.
Samuel Carneiro sempre fora sério com todos, quase sem expressão.
Diante de Rafaela, onde estava a sombra do médico legista frio e distante?
Rafaela era realmente a pequena estrela da sorte da família.
O almoço seguiu em um clima mais tranquilo.
A família conversava enquanto comia, principalmente sobre Rafaela Ribas e sua mãe.
Velho Senhor Carneiro:
— Rafaela, eu sei um pouco sobre esse seu pai. Ele não presta, é melhor não reconhecê-lo.
— Certo.
Rafaela Ribas concordou com a cabeça.
Henrique Carneiro:
— Sua mãe também era uma jovem extremamente talentosa. Desde pequena, tinha um dom extraordinário, era excelente em música, xadrez, caligrafia e pintura. Aos doze anos, foi notada por um misterioso instituto de pesquisa do governo, que a convidou para participar do desenvolvimento de alguma arma...
Ao chegar a este ponto, a expressão de Henrique Carneiro tornou-se sombria.
Disseram que era seu último desejo.
— Ah... — Ao ouvir as palavras de Rafaela Ribas, Débora Galindo sentiu ainda mais pena. Ela acariciou o rosto desolado da garota e disse com ternura: — De agora em diante, você tem seu avô, seus tios e sua tia, ninguém mais se atreverá a te maltratar.
O corpo de Rafaela Ribas se aqueceu, e ela respondeu com um dócil "sim".
André Carneiro observou a maneira como sua mãe mimava a garota, comeu um pedaço de caranguejo e sorriu com desdém.
Fabiano Matos tratava Rafaela como a menina dos seus olhos.
Se houvesse algum problema, a Família Carneiro nem teria a chance de intervir.
— A propósito, Rafaela, ouvi do seu Irmão André que você está morando na casa de um amigo dele? — O avô colocou um pedaço de peixe no prato dela e perguntou em voz baixa. — Como é lá, você está se acostumando?
Embora o avô não interferisse na carreira dos três netos, ele não gostava muito do fato de André Carneiro estar no mundo do entretenimento.
Sempre se preocupava que seu neto de cabeça simples fosse corrompido por aquele ambiente.
— Estou acostumada, obrigada, vovô.
Rafaela Ribas respondeu suavemente, seus olhos se suavizando.
— Que bom que está acostumada. — O avô deu um tapinha na mão de Rafaela Ribas, seu olhar se voltou para André Carneiro e instantaneamente ficou sério. — Rafaela ainda vai ficar lá por dois meses, não é bom morar de graça. Quando for embora, leve as coisas que eu preparei.

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