Como sua irmã poderia ser a Noite?
Samuel Carneiro ficou parado, atônito, seus olhos escuros e chocados examinando cuidadosamente a garota à sua frente.
Seus pais disseram que Rafaela ainda estudava na Escola Saint.
Como uma garota do último ano do ensino médio poderia ser a renomada "Noite" no mundo da medicina forense?
Talvez fosse porque ele passou muito tempo com Noite ontem e foi alvo de seu sarcasmo, deixando uma marca em sua mente.
Devia ser isso, apenas uma semelhança nos olhos.
Era impossível!
— Rafaela, este é seu Irmão Samuel... Samuel Carneiro.
Vendo seu filho parado sem reação, Débora Galindo presumiu que ele estava emocionado demais por conhecer a irmã. Ela pegou a mão de Rafaela Ribas e a levou para perto de Samuel Carneiro.
— Irmão Samuel?
A garota ergueu seu belo pescoço de cisne, seu rosto pequeno e delicado era deslumbrante, e seus olhos límpidos se estreitaram enquanto um sorriso enigmático brincava em seus lábios.
A voz...a voz também era muito parecida com a de Noite.
O pânico que Samuel Carneiro havia conseguido suprimir voltou com força total.
— Eu...
Ele continuava ali, paralisado, seu coração descompassado quase saltando do peito, enquanto uma terrível premonição tomava conta dele.
Percebendo o olhar chocado do homem, Rafaela Ribas ergueu uma sobrancelha e, com naturalidade, mostrou sua mão direita ferida.
— Olá, Irmão Samuel. Eu sou Rafaela Ribas.
Ao ver o curativo na mão direita de Rafaela Ribas, o coração de Samuel Carneiro deu um salto, e ele ficou completamente paralisado.
Os olhos eram iguais.
A voz era igual.
Até o local da lesão era o mesmo.
Se não fossem a mesma pessoa, só podia ser um fantasma.
Samuel Carneiro permaneceu imóvel, o rosto pálido como cera, os lábios se movendo sem emitir som algum.
Como era possível...
— Rafaela, eu...
Samuel Carneiro engasgou, tomando coragem para tentar pegar a mão de Rafaela Ribas.
Mas no segundo seguinte, ela se esquivou com habilidade. A garota ergueu a mão ferida, sua voz soando distante:
— Minha mão esquerda está ocupada, e a direita está machucada, não é muito conveniente. Além do mais...
Um sorriso se formou em seus lábios, e ela continuou, com um tom nem quente nem frio:
— O Irmão Samuel não tem fobia de germes? Se alguém o toca, precisa borrifar desinfetante?
— ???
A mente de Samuel Carneiro zumbiu, sua razão desligou por alguns segundos e, em seguida, como se algo o atingisse, suas pupilas se dilataram.
A garota em quem ele esbarrou no leilão naquele dia também era ela?
Lembrando-se de sua atitude para com ela na época, não havia nada além de desprezo, certo?
Em um instante, Samuel Carneiro sentiu que estava acabado.
Mal havia voltado ao país e já tinha arruinado completamente sua imagem aos olhos da irmã.

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