Valentina Lacerda não demonstrou nenhuma intenção de se levantar.
Ela sequer se virou para olhar o homem atrás de si.
Já não queria trocar mais uma palavra com aquele homem.
A expressão de Benjamin Freitas tornou-se completamente fria.
Ele sempre achou que, apesar de algumas atitudes de Valentina Lacerda, ela sempre fora dedicada quando o assunto era Estrela.
Mas agora, mesmo sabendo que Estrela estava doente, ela ainda se deixava consumir pelo ciúme. Isso era... inadmissível!
— Esta noite, Estrela achou que você voltaria para casa e ficou te esperando por muito tempo lá embaixo, até adormecer no sofá! Mesmo dormindo, continuava me perguntando quando você voltaria! Agora que ela está passando mal, você simplesmente a ignora por causa de uma bobagem! Valentina Lacerda, eu realmente me enganei com você!
Benjamin Freitas terminou de falar e bateu a porta ao sair.
Deixou Valentina Lacerda sozinha.
Ela se levantou e jogou no lixo tudo o que estava sobre a mesa.
Achava que já estava suficientemente calma, mas as últimas palavras de Benjamin Freitas não lhe permitiam encontrar paz.
Ele disse que Estrela a esperou a noite inteira.
Disse que, mesmo dormindo, Estrela continuava esperando por ela...
A imagem formou-se em sua mente: a pequena Estrela deitada naquele grande sofá, cheia de esperança, aguardando por ela.
Valentina balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos.
Mas bastava fechar os olhos para ver Estrela coberta de manchas vermelhas, chorando, pedindo colo.
Agora que estava prestes a se divorciar de Benjamin Freitas, provavelmente a família Freitas não permitiria mais que ela tivesse contato com Estrela.
Sentiu como se uma pedra enorme tivesse bloqueado seu peito.
Estrela sempre fora uma criança frágil, e Valentina sempre cuidara dela pessoalmente. Nem mesmo as funcionárias da casa conheciam tão bem as necessidades de Estrela quanto ela.
Pensando nisso, Valentina Lacerda acabou se levantando para abrir o notebook.
No documento, escreveu as preferências de Estrela, os alimentos e substâncias aos quais era alérgica, além dos cuidados necessários caso tivesse uma crise.
Ela se lembrava perfeitamente das atitudes de Estrela que tanto a magoaram, mas, com relação àquela menina, simplesmente não conseguia ser dura.
Depois de listar todos os cuidados detalhadamente, Valentina revisou tudo de novo, certificando-se de não ter esquecido nada, e então enviou o arquivo para a funcionária que sempre cuidava de Estrela.
Ela já fizera tudo o que estava ao seu alcance; quanto ao resto, só podia aceitar que ela e Estrela não tinham o laço de mãe e filha.
Olhou para o relógio. Já passava da meia-noite.
Se não dormisse logo, não teria energia para estudar no dia seguinte.
Tomou alguns comprimidos de melatonina, forçando-se a dormir.
Residencial Jardim do Sol.
Estrela estava ao lado da mãe, mas as manchas só pioravam; sentia tanta coceira que não parava de se arranhar, completamente desconfortável.
Virou-se para olhar a mãe, que assistia ao filme com tanta atenção. Não queria incomodá-la...
Nesse momento, lembrou-se de Valentina Lacerda.
Sempre que se sentia mal, Valentina Lacerda ficava ao seu lado, fazia carinho e lhe contava histórias.
Sentindo-se injustiçada, murmurou baixinho:
— Mamãe, está muito difícil para mim...

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