— Estes são os pratos que você e Estrela gostam. Eu nunca gostei disso.
A voz de Valentina Lacerda soou fria, sem demonstrar qualquer emoção.
Do outro lado da mesa, Benjamin Freitas franziu as sobrancelhas.
— Deve ter sido um engano da Nádia. Me diz o que você quer comer, eu peço para fazerem outra coisa.
Enquanto falava, ele já pegava o celular, pronto para fazer uma ligação.
Valentina Lacerda olhou para o homem à sua frente. No fundo, sentia-se incrivelmente calma.
Ela sempre pensou que, no dia em que realmente chegassem a discutir o divórcio, ficaria triste, sentiria falta. Afinal, ela o amou por tantos anos; esse homem praticamente atravessou toda a sua juventude. Ela até teve um filho dele!
Mas agora, vendo Benjamin Freitas com aquele jeito natural, perguntando ao assistente sobre suas preferências, Valentina Lacerda só conseguia sentir pesar. Pesar pelo amor e dedicação que ofereceu.
— Não precisa! — disse, interrompendo os pensamentos.
— Você veio aqui hoje para discutir os detalhes do divórcio, não é? Vamos começar logo!
Benjamin Freitas percebeu o tom de Valentina Lacerda e começou a se irritar. Seus dedos tamborilavam suavemente sobre a mesa.
Valentina Lacerda apenas o encarava, sem emoção.
Ele semicerrava os olhos, acendendo um cigarro. O aroma forte do tabaco percorreu seus pulmões, tentando sufocar a crescente ansiedade dentro de si.
Finalmente, falou:
— Eu e ela não somos o que você está pensando.
Havia muitas coisas que ele não podia contar a Valentina Lacerda. Mas também não podia deixá-la continuar agindo daquela maneira. Estrela precisava de cuidados, e ele também precisava de um lar estável.
— Eu não vou me divorciar de você. Ela não vai te afetar em nada.
Benjamin Freitas bateu levemente com o dedo indicador no cigarro, e a cinza caiu sobre a superfície branca da mesa de jantar.
— Arrume suas coisas. Hoje à noite, volte comigo.
Ao dizer isso, a voz dele soava como sempre: superior e inabalável. A frase “Eu não vou me divorciar de você” parecia um favor, uma esmola.
Doçura.
Ha! Realmente, bastante doce!
Benjamin Freitas pareceu não se importar que Valentina visse aquele contato. Simplesmente pegou o telefone e atendeu ali mesmo.
— Benjamin, a Estrela está cheia de manchas na pele, não sei o que houve. Você pode vir pra casa ver?
No silêncio do apartamento, a voz do outro lado da linha soou ainda mais clara.
Valentina Lacerda ouviu tudo nitidamente.
Benjamin Freitas já havia deixado aquela mulher morar no Residencial Jardim do Sol!
Então por que ele queria que ela voltasse? Só para humilhá-la?
Ao saber que a filha não estava bem, Benjamin imediatamente se preocupou. Pegou o casaco e já ia sair, mas ao ver Valentina ainda sentada, franziu as sobrancelhas, sua voz ficou fria:
— Você não vai voltar?

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