Ao sair do cartório, Valentina Lacerda e Benjamin Freitas tinham, cada um, um certificado de divórcio nas mãos.
Tudo não passou de meia hora, do momento em que entraram até a saída.
O casamento deles tinha chegado ao fim. A partir dali, não restava mais qualquer vínculo entre os dois.
Benjamin Freitas fitou a mulher ao seu lado. A garganta apertou, o pomo-de-adão oscilou algumas vezes até que finalmente conseguiu falar:
— Está se sentindo bem?
Valentina Lacerda guardou cuidadosamente o certificado de divórcio na bolsa.
— Só estou cansada ultimamente, nada demais.
Ela caminhou em direção à calçada. Benjamin Freitas, quase por instinto, segurou o pulso dela.
— Vamos jantar juntos?
Valentina Lacerda, detida por ele, lançou um olhar gélido à mão que a prendia. Seu semblante era frio e contido.
Ela não disse palavra, mas Benjamin Freitas sabia bem que ela não gostava de ser tocada por ele.
Soltando-a, continuou:
— Ainda ficou muita coisa sua lá em casa. Quando quiser, pode passar pra pegar, ou se preferir, eu mando entregar.
Valentina respondeu com tranquilidade:
— Pode descartar tudo. Não preciso de nada.
Dito isso, fez menção de partir novamente.
— Vai pra onde? Eu posso te levar — disse Benjamin, apressando-se em acrescentar: — Não se preocupe, peço ao motorista para acompanhá-la. Sei que você não quer me ver.
Valentina não respondeu.
Conferiu uma mensagem no celular, então caminhou até um carro de aplicativo que já a esperava à beira da rua.
— Meu carro chegou.
Assim que terminou de falar, abriu a porta e entrou no veículo.
A porta se fechou diante de Benjamin Freitas. De dentro do carro, Valentina sequer olhou para trás.
Benjamin observou o veículo se afastar até desaparecer no fluxo dos carros.

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